sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Salvador, terra do Axé e da Alegria?

Autor: Valdeck Almeida de Jesus

A capital baiana é limitada pelo mar. A península tem bairros bem cuidados, na orla norte, partindo da Barra até as praias do Flamengo. A orla sul, da Barra a São Tomé de Paripe, não tem o mesmo tratamento. Talvez o motivo seja o poder aquisitivo de quem reside em cada uma das localidades, denunciado pelo tipo de moradia e pela cor da pele.

Outra limitação é o cerco musical. A maioria das emissoras de rádio toca o mesmo ritmo o ano todo. Televisões, jornais e internet acompanham este samba de uma nota só, culminando numa apoteose durante o carnaval exclusivo. O incentivo vem de troféus, festivais, encontros, ensaios, brindes e outras artimanhas realizados todos os meses. Sempre há uma festa que combina qualquer outro estilo com o pagode e o axé. Pode-se chamar isso de oligopólio? Talvez, devido à concentração de tantas emissoras nas mãos de poucos, que ditam o que vai e o que não vai fazer "sucesso". De tanto ouvir o mesmo tom, os ouvidos soteropolitanos se "acostumam" e, aí, cria-se um novo consumidor e mantém-se cativo o já "catequizado".

A musicalidade baiana gera renda, muita renda. Há artistas que vendem milhões de cópias, fazem shows pelo mundo afora, realiza carnavais em todos os estados. Muitos desses grupos vivem em mansões ou apartamentos suntuosos, debruçados sobre a Baía de Todos os Santos. Estes mesmos "santos", não abençoam todo mundo. Privilégio é para poucos. "Talento" também não é para todo mundo. Afinal, domesticar um povo para admirar e curtir apenas uma sonoridade custa investimento em tecnologia, pagamento a profissionais e renovar equipamentos, gerar "novidades" todos os anos, rebatizar o mesmo ritmo e "criar" novos adeptos.

O carnaval e os cantores e músicos baianos não são culpados pela miséria que reina em Salvador. Absolutamente. Eles são, apenas, uma parte da população e dos mecanismos que vivem e sobrevivem, produz e reproduz o modelo de sociedade em que nem todo mundo tem o título de sócio. A democracia serve para isso mesmo: dar César o que é de César, a cada um segundo o seu esforço. Mas, por trás de toda engenhosa habilidade de lucrar e viver honestamente às custas do próprio suor, sempre tem uma máquina trabalhando, a qual não deixa brechas para todo mundo entrar. A política cultural do estado dorme e sonha uma nova realidade a cada ano, a mesma para os mesmos, em que apenas um grupo lucra e desfruta da "Terra da Felicidade".

O sorriso largo do baiano, a receptividade, o espírito não-guerreiro, fazem desse povo, digo, aquele que mora em palafitas, favelas e subúrbios, um povo hospitaleiro, de paz. Mas paz não enche barriga. Enche, sim: durante as folias, há sempre espaço para quem puder vender cerveja num isopor; churrasquinho na esquina e pegar ônibus lotado para voltar pra casa. Afinal, "a praça é do poeta e o céu é do condor."

Fonte: Galinha Pulando

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Caculé brilha na Noite Cultural

A festa literária foi organizada por Leandro Flores, com a participação dos artistas da palavra Valdeck Almeida de Jesus, Antonio Santana, Renata Rimet, entre outros, o evento marcou o lançamento do site oficial do escritor Leandro Flores: www.leandroflores.com.br, bem como exposição de livros dos autores participantes e relançamento de “Carta ao Presidente” e “Poesia e Contos para todos os Cantos”.

Os poetas falaram sobre experiências e expectativas em relação à cultura e à literatura, sob os olhares e ouvidos atentos da sociedade local. O ambiente, um lavajato ecológico que à noite se transforma na Passarela Caculé, abrigou gente bonita que curtiu drinques, petiscos e muito papo descontraído. A atenção era para tudo o que foi apresentado pela radialista Elisângela Alves. Estiveram presentes, também, artistas locais, políticos, representantes sociais e profissionais da educação da cidade de Caculé. A parte musical ficou por conta do show com a cantora Milta Cecília.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi o recital de poesia, no qual pessoas como Gardênia Alves, da rádio Atalaia FM, o Poeta Caculeense Carlos Souza (o Carlinhos), Eder Fernandes, filho da professora Ana Maria, recitaram poemas do escritor Leandro Flores. Para o homenageado da noite, Leandro Flores, que também foi aplaudido pelo seu aniversário, o fomento cultural em um país em que quase não se valoriza a cultura é um desafio para qualquer artista. “Porém, o objetivo principal foi alcançado, que foi fazer acontecer um encontro entre artistas locais e de outras cidades”, ressaltou Leandro Flores.

Os mais de 1500km que a dupla Renata Rimet e Valdeck Almeida de Jesus percorreram foram recompensados. A paisagem, geografia e as cidades visitadas estão presentes em quase 800 fotos. O roteiro foi: Salvador, Feira de Santana, Santo Estêvão, Jequié, Manoel Vitorino, Poções, Planalto, Vitória da Conquista, Anagé, Caraíbas, Brumado, Ibiassucê e Caculé. A viagem de ida sempre parece mais longa, mas se percebe, na volta, que, apesar de a mala do carro vir abarrotada de requeijão e iguarias compradas à beira da estrada, além das centenas de fotos, a sensação de quem volta de uma viagem cultural é de saudade e de que deixou alguma coisa para trás.

Agora, com os caminhos abertos, o retorno é certo. Já existem planos de um novo evento em 2011. Talvez seja necessário alugar uma Kombi para levar tanta gente interessada, mas que tenha um lugares sobrando para quem quiser fazer o roteiro inverso. Nunca se sabe, né? Afinal, de encontro de poetas pode nascer e tudo.

Fontes:
http://www.galinhapulando.com/visualizar.php?idt=2683862

http://www.jornow.com.br/jornow/noticia.php?idempresa=1024&num_release=34222

http://www.difundir.com.br/site/c_mostra_release.php?emp=1024&num_release=34222&ori=V

http://www.galinhapulando.jex.com.br/manchete/cacule+brilha+na+noite+cultural

domingo, 24 de outubro de 2010

Jean Wyllys: O povo negro pede igualdade

Há muito tempo que os sociólogos Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso derrubaram o mito da democracia racial no Brasil, mostrando que, aqui, o racismo é, por um lado, negado por conta da evidente miscigenação e dos espaços de convivência entre brancos e negros (no caso específico de Salvador, as festas de largo e o Carnaval), e, por outro, ele é reafirmado por conta das escolas, cursos universitários e clubes frequentados quase exclusivamente por brancos e pelo fato de quase não haver negros nos altos escalões das grandes empresas nacionais e multinacionais que operem em terras brasileiras, sem falar que os negros são maioria entre as vitimas da violência urbana e do desemprego.

Há muito tempo que os dois sociólogos – e, depois deles, outros tantos intelectuais das ciências humanas que se dedicaram às questões de etnia e relações raciais – deixaram claro que o Brasil é, sim, um país racista (de um racismo peculiar, à brasileira, ou seja, que finge que não é racismo), mas isso não impede que haja quem queira não só desqualificar as reivindicações políticas dos movimento negro, mas principalmente fazer oposição a elas como se não fossem justas ou nada tivessem a ver com justiça social. Um exemplo?

Depois de aprovado no Senado, em 16 de junho, o Estatuto da Igualdade Racial entrou em vigor anteontem, dia 20, sem que as reivindicações históricas dos negros organizados fossem contempladas. O texto do estatuto perdeu quatro dos artigos considerados mais importantes: a previsão de cotas para negros nas universidades federais e escolas técnicas públicas; o incentivo fiscal para empresas que contratarem negros; a reserva de vagas em produções da televisão e do cinema e em partidos políticos e a proposta de implantação de políticas de saúde voltadas para o combate a doenças com maior incidência entre os negros, como, por exemplo, a anemia falciforme e o lúpus.

Ora, como explicar a recusa em atender essas reivindicações justas senão por meio da mentalidade racista que vigora entre a maioria dos congressistas e, portanto, nos grupos sociais que eles representam? Mentalidade racista que já foi descrita em suas diferentes materializações por cientistas sociais e políticos que se dedicaram a refletir sobre o lugar subalterno dos negros na sociedade brasileira e sobre sua organização política com intuito de reparar essa realidade.

O que não impede que haja quem queira dar invisibilidade a essa organização e suas reivindicações seja por alienação ou por dificuldade de se assumir racista. Um exemplo? Quando, nas redes sociais de que faço parte, tratei da derrota do movimento negro (nesse caso do Estatuto da Igualdade Racial) com a frase “As leis de nossa sociedade refletem a mentalidade do macho adulto branco (e rico) sempre no comando”, houve quem tenha feito tábua rasa do principal assunto em questão para criticar o uso da expressão “macho adulto branco” porque seria uma “importação” da expressão WASP – White Anglo-Saxon Protestant (Anglo-Saxão Branco e Protestante), logo, condenável, porque seria uma concessão à cultura dos Estados Unidos.

Ora, como explicar uma atitude dessas senão por meio da mentalidade racista que não quer se assumir racista, seja por vergonha seja por causa do imperativo do politicamente correto?Desconstruir ou - por que não? – destruir essa mentalidade racista; desmascarar os esquemas conceituais e as representações literárias, visuais e audiovisuais que colocam o negro num lugar subalterno é a principal tarefa do movimento negro e de todas as pessoas de bom-senso doravante.

O fato de o Estatuto da Igualdade Racial ter entrado em vigor sem contemplar as reivindicações históricas do movimento não quer dizer que ele não possa ser alterado no futuro, de modo que atenda esses apelos justos; não quer dizer que outras ações não possam ser feitas no sentido de construir, no Brasil, uma democracia racial que não seja só um mito no sentido de mentira ou fantasia.

Fonte:
22.10.2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Antologia do Amor - 2010

Confira aqui os textos dos poetas participantes da Antologia do Amor, organizada por Valdeck Almeida de Jesus e que será lançada dia 21 de agosto de 2010, às 18 horas, no estande da Giz Editorial, durante a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.



Amor diferente
(Adersen Chrestani)

Celebremos a chuva
Como se fosse um bálsamo,
Que abranda a vida,
Que lava a alma.
Não importa quais feridas
Estejam abertas,
Nem importa o que somos,
Ou se amamos na mesma medida.
Quando te olho
Só vejo em ti os sentimentos
Que eu mesmo concebo,
Por isso não sei
Qual forma de amor há
Nas respostas que recebo.
Mas já não faz sentido
Querer desvendar segredos,
O que importa é que não deixemos
Que nossos medos transmudem
O que nos foi reservado:
Um amor diferente
E nenhum sentimento sufocado.


Todo seu
(Adersen Chrestani)

Visto-me com sua pele
Pra aquecer a minha alma
Embriago-me com sua saliva
Pra esquecer das coisas
Nos seus abraços me envolvo
Na sua voz me entrego
No seu cheiro deliro
Na sua lembrança suspiro
Por seu amor eu morro
E se o meu desejo é o seu desejo
O seu prazer é o meu prazer
Oh! Senhora de mim
Não há mais medo
Nem dúvidas há mais
Sou todo seu o tempo todo
Até o fim.

Adersen Chrestani é natural de Maximiliano de Almeida–RS, filho de pequenos agricultores, formou-se em Direito pela Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ) em 1994 e, desde então, exerce a advocacia. Foram publicados 06 (seis) poemas de sua autoria no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul (Grupo RBS), na página Almanaque Gaúcho.


Evidente fantasia
(Alexandre Tarlei)


Uma canção surge em seus olhos
uma lição de amor que vi crescer
pura semente de ilusão
nos olhos de alguém que aprendi ser.

Uma evidente fantasia
uma vertente da paixão
que semeia dor e alegria
transforma poesia em canção.

Uma dama da noite, um cheiro de jasmim
uma parte da vida, um pedaço de mim
que o amor arranca qual flor de um jardim
deixando no peito saudade sem fim

Um amor imperfeito, uma cicatriz
uma canção em lá de um aprendiz
a tua boca molhada com gosto de gin
e a eternidade num risco de giz.

Amor marginal
amor sem igual
amor que refaz
o amor.




Dois diamantes
(Alexandre Tarlei)

Ouvir o sopro da vida
o grito além das cortinas
tocar em suas entranhas
falar das nossas medidas.

Sentir o gosto do vinho
o sangue que aflora na pele
ceiar as nossas mentiras
curar as suas feridas.

Olhar a nobreza dos olhos
que brilham como mirantes
invadem as nossas verdades
na sede voraz dos amantes.

Beijar seu sorriso num gesto
que vai além dos meus sonhos
entrar no espelho da alma
dois corpos, dois diamantes.

Alexandre Tarlei é natural São Paulo-SP. Aos 16 anos começou a escrever, amante da leitura espelhava-se em alguns mestres que admirava como Thiago de Mello, Vinicius de Moraes, Chico Buarque de Hollanda e Augusto dos Anjos. Teve sua poesia 14 de maio publicada no livro RACISMO: SÃO PAULO FALA, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em novembro de 2008.


Nosso Amor
(Danilo Augusto)

Dia e noite transformados em agora
Sobre a cama de deus nos amamos sem horas
Em um instante de beijos, eternas demoras
Nosso amor pequenino, onde o infinito mora
...
Nosso amor não tem nome. E nunca terá algo mais leve
A existir cá no mundo que seja simples e seja eterno
E seja forte e seja belo. O amor que te tenho
E te guardo e te dou, o sou, o és e o somos
Após o pináculo do tempo e antes de nunca...
Sempre nos amamos. E o que há de ser?
A não ser teus olhos que são pontes e são pássaros
A não ser nosso amor – criador de universos
...
Caem as folhas e já não podem, tomba a árvore e já não cria
O vulcão explode, então descansa, o sol que arde um dia esfria
Mas nosso amor sucede ao sol e à própria Luz o seu empenho
Brilha mais alto. Ele é filho do tempo e o tempo, seu engenho
Nosso amor nasceu no mar de ti e é fogo sem lida, é céu sem vau
E tudo o que há de belo ao o ver se carpe e sufoca uma mágoa tal
O ciúme dos astros nosso amor não toca, apenas a Verdade o tem
Nosso querido amor, vingança contra o Mal, o que suplanta o Bem.

Ângela dos Anjos
(Danilo Augusto)

Ângela, em minha alma pequenina corre um rio ao país das trevas
Corre calado e nele longos navios de uma solidão tocante
Singram um caminho onde o tempo não passa e tudo é agora
E o passado é agora e o futuro é agora e nada se acaba em meu ser obstinado
Pois que tenho uma corcunda de pensamentos escuros e tortos
Que murmuram fuxicam e nunca, nunca estão mortos
Pois que tenho uma corcunda de pensamentos escuros e tortos
E no entorno dessas horas quando todos se calam eles me visitam
Com seus grandes, imensuráveis, dedos lunáticos
De uma ambição terrível e de um orgulho temeroso e me dá uma pena
Uma pena de existir neles o que em mim não se coube nem
Tão pouco foi querido e por isso me atormentam
E se agarram com as presas da paixão no meu corpo indefeso
Ângela dos anjos,
Corpo de simplicidade incrédula mandíbulas de densa verdade
Seios como redoma para o infinito
Que eu suplico
Olhos de dar medo e adormecer uma criança
Despe meu corpo da corcunda submersa
Que não me dispo e me visto com tudo o que me fere
Mas calo e renego a dor e renego o ato
Ângela dos anjos,
Boca que devora as sombras dos homens
Braços de músculos como asas que carregam meus sonhos
Despe meu corpo das horas em que muito penso
E me tento a pecar na sua forma mais pura
E cogito a pior feição do homem que nem dizer se deve
E convido Mefistófeles ao meu cérebro
Ângela dos anjos,
Das rosas sem raízes do coração como uma fruta
Se aproxime de mim com tanto cuidado pois deliro
E anseio e não resisto e nem quero resistir
A digerir teu espírito numa só bocada

Danilo Augusto é natural de Salvador-BA. Aos 14 anos, escreveu o livro “Sonhos e outros Sonos” e consta com vários outros poemas publicados. Vencedor, por cinco anos consecutivos, do Circuito Literário do Colégio Portinari. Recebeu o Prêmio Jornalista do Futuro, promovido pela ABI e Folha Dirigida. Foi também Membro Honorário da Academia Mirim de Letras da Bahia. Atualmente cursa o Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades pela UFBA. E-mail: danilofraga@hotmail.com


Prisioneira do Amor
(Eulália Costa)

O amor chegou em mim devagar,
Logo tomou espaço e criou laços.
Difícil agora permanecer sem as bonitas e infinitas lembranças deste amor.

Este amor mal-correspondido
Foi profundo em sentimentos reais.
Nem o tempo e nem a distância
Desfazem um amor assim tão fugaz.

Quero continuar guardando em mim,
Apenas boas lembranças desse amor
Para outras dores não mais sentir.

Durante toda a minha vida tentei fugir,
Porém devo admitir:
Sou livre, mas prisioneira do amor!



Página Virada
(Eulálio Costa)

Oh! Vida de amores e dores
Regada de poesias e ilusões
Acompanhada de transformações:
Naturais, forçadas ou nunca em vão.

Vida passageira e nada gentil
Dádiva de Deus, presente nos caminhos
Escolhidos estás se tivermos fé.
O caminho não importa e sim a fé.

Página virada é passado
Cinzas levadas pelo vento
E esquecidas pelo tempo cruel.

Mudanças podem e devem ocorrer,
Pois temos o poder de mudar o rumo,
Virar a página e fazer acontecer.

Eulália Costa é poetisa do amor e da vida. Escreve desde criança.

Em honra da flor impura
(Fabio Daflon)

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Em face da traição, que faço eu?!...
Oh! flor infiel, que o lírio desnatura,
Ilusão das tuas pétalas no céu
Revejo alucinado pelas ruas,
Nas sombras conspurcadas do caminho,
Nas quais nunca plantei essas mãos nuas,
Flor suja em sarjeta, em desalinho.
Eu sou quem não perdôo, sou quem sofro,
Sem ter teus ramos perto dos meus braços,
Para cortar tua haste com navalha.
Mais longe que o infinito está teu sopro,
E a lâmina já cai dos punhos lassos.
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Soneto pelo enlouquecimento
(Fabio Daflon)

Sabes? Só sei de ti intrincados labirintos
de heras verdes amuradas e centrípetas,
por onde vagam muitos anjos e capetas
para rirem-se do ardor dos meus instintos
até que louco eu me perca em circunstâncias,
no descaminho mais tristonho da rotina,
qual alienado que sequer pensa ou atina
que o estugar passos aumenta as distâncias,
mas essa dor da tua ausência é precedente,
não some, não alivia e só tem lenitivo
quando sinto tua carne possuir minha alma.
Paixão de entrega máscula assim pungente,
só posso em lealdade a tudo que estivo,
mas força só adianta ao toque da tua palma.

Fabio Daflon é médico, especialista em pediatria e medicina psicossomática. Em letras é especialista em Estudos literários pela Universidade Federal do Espírito Santo. Publicou seu primeiro livro em 1981, desde então já tem quatro livros publicados; a saber: TITULO PROVISÓRIO - o movimento estudantil na Faculdade de Ciências Médicas da UERJ - gênero ensaio –; VENTO PASSADO - Memórias do Recruta 271 - na condição de co-autor, escrito em parceria com seu pai, Alberto Daflon, que foi Cabo Artilheiro e lutou em Monte Castelo, durante a Segunda Grande Guerra; HIPOTENUSA, com 52 poemas e dois contos – 2005; e por fim o livro ALGO SEM GESSO, escrito com seu irmão Alberto Daflon, filho – 2009. Tem poemas e contos lançados também em diversas antologias.





Só eu te amei
(Gil Nascimento)

A noite chega alertando-me do teu desamor.
Quando te achei apostei na minha sede
E disposição de ti amar.
Como se um pudesse amar pelos dois.

Tentei alegrar o teu ser, mas foi em vão.
O teu amor eu roguei.
Me destes migalhas e eu aceitei.

Então eu amei. Amei sem parar! Cansei!
Cansei desse amor mal dividido.
Quando um só dá e o outro nega.

Quando um respira e o outro suspira.
Quando um diz te amo!
O outro fala chega pra lá.

Então chegada a hora do não prosseguir.
Eu me vi por um momento sem rumo e sem guarida.
Responde vida, onde escondestes o meu amor?

Diz pra ele que vou tentar viver em paz.
O dia chega, a luz acalma os meus neurônios.
Clareia a minha mente e me faz ver que parvo
É aquele que ama só.

Concluí que para amar alguém
Teria que me bastar de tanto amor.
E me amando poderia me achar.

Sinto frio
(Gil Nascimento)

Noite escura sinto frio, te beijo, te toco,
Como se fosse real.
Sinto um vazio, o frio se alastra no meu âmago.

E você distante. Sinto fome, medo, e sede.
Minha alma está despida.
Frio opaco, frio sem vida.

Frio por dentro, frio imenso meu corpo sente.
Não te vejo, sinto que lá fora está quente,
Mas sinto frio.

Sinto arrepio, sinto-me pequena.
Sinto falta de carinho.
Sinto meu corpo desabitado.

Sinto que transgredi a regra do nosso jogo,
Mesmo com a tua indiferença,
Meu corpo pede a tua presença.

Sinto Frio!

Gil Nascimento é natural de Pau Brasil-BA, formada em contabilidade na cidade de São Paulo, estudou também Decoração de Interiores. Concursada pela COBES - Coordenadoria do Bem Estar Social em São Paulo. Concursada pelo Instituto da Previdência Social - INSS Salvador-BA. Foi analista Química da Banilsa em Salvador-BA. Criou a empresa D`GIL Comércio Ltda., ligada ao ramo de confecções e vestuário. Lançou o seu primeiro livro com o Título Acreditar... no dia 19 de novembro de 2006. Participou da Coletânea dos Cadernos Literários X, XI, XII, XIII XIV do GACBA. Participou da Bienal de São Paulo com a coletânea organizada por Valdeck Almeida. Participou do Varal Literário em Jundiaí-SP. Expôs na Bienal de Salvador. Participou da primeira Antologia de Natal na cidade de Belo Horizonte. Atualmente dedica-se integralmente aos estudos literários. Membro do Grupo de Ação Cultural da Bahia na Fundação João Fernandes da Cunha, em Salvador-BA. Filiada a Câmara Bahiana do Livro - CBaL.
E-mail: luzdavidanova@hotmail.com


Prova de Amor
(Infeto)

Década de 30: prova de amor era se castrar.
Década de 40: prova de amor era se guardar.
Década de 50: prova de amor era enfrentar.
Década de 60: prova de amor era se matar.
Década de 70: prova de amor era se casar.
Década de 80: prova de amor era a virgindade.
Década de 90: prova de amor era sexo anal.
Década de 2000 e século XXI:
Mate sua mãe. Mate seu pai.
Pegue a herança, vamos para Madurai.
Mate minha mãe. Mate meu pai.
Pegue o seguro vamos para o Hawai.
Década de 2000 e século XXI:
Mate sua mãe, que eu mato meu pai.
Mate minha mãe, que eu mato seu pai.


Não Sinto Sua Falta
(Infeto)

Não, não quero encher sua bola ou despejar meus desejos em seus confortáveis braços.
Nem quero dizer que te amo, suplicando sua presença.
Não sinto falta de seu cheiro de neném suado. Sinto falta de um cheiro.
Não sinto falta de sua voz motivadora. Sinto falta de uma voz.
Não sinto falta de seus beijos celestiais. Sinto falta de beijos, que me levem ao céu.
Não sinto falta de seus afagos e abraços tórridos. Sinto falta de tudo isso mais um bocado.
Não sinto falta de sua pele alva e macia. Sinto falta de uma pele, uma pele sobre a minha.
Não sinto falta de suas panturrilhas gordas e tortas. Sinto falta de tortas de batatas gratinadas.
Não sinto falta de seus olhos miúdos como estrelas a brilhar. Sinto falta de olhos, que me fazem acordar no meio da noite só para observá-los.
Não sinto falta de seu cabelo negro e envolvente. Satisfar-me-ia com uma peruca.
Não sinto falta de te amar. Sinto falta de ter alguém para amar.
Não sinto falta de seu sexo esquipático. Sinto falta de sexo: louco, inocente e auspicioso.
Não sinto falta de sua presença onipresente. Sinto-me só mesmo em coletividade.
Espero que nunca leia estes versos, pois não consegui me conter.
Não sinto sua falta. Sinto falta de tudo que pôde me proporcionar.
Como ainda não tive e temo que não tenha alguém para expurgá-la de mim. Digo e repito que não sinto sua falta, até exaurir, na tentativa de me redimir.
Odeio-me por ainda te amar, mas quero deixar bem claro que: NÃO SINTO SUA FALTA!

Infeto é soteropolitano, formado em Administração e com tendências artísticas desde os 14 anos. Julga-se autodidata e ignorante por natureza perante a arte. Possui projetos engavetados e alguns realizados nas áreas literárias (contos, resenhas, críticas, artigos, monografias, poemas, crônicas, livros etc.); teatro e cinema (roteiros de curtas e peças), música, e artes visuais em geral.


Amor
(Ivonete Almeida de Jesus)

Será pureza ou sabedoria?
Doação, generosidade ou gratuidade?
Ou será expressão de uma vida
Que tem medo da solidão?
É por isso cerca o companheiro
De cuidados e excesso de carinho?
É racional ou motivado pela afetividade,
Por apego infantilizado
Que não aceita ter sido expulso
Da vida uterina
Do aconchego e da comodidade
E por isso busca compensar suas carências
Em alguém recém chegado em sua vida.
Corta o cordão, solta o teu parceiro
Dê-lhe liberdade, deixe-o voar
E permita que ele decida
A amar-te sem nada dele cobrar.
Então entenderás o que é o amor
E quem sabe...
Aprenderás a amar.

Experiência da alma
(Ivonete Almeida de Jesus)

Um olhar penetrante,
Uma música dedilhada.
Voz suave, cumplicidade.
Afetividade e química.
Dois corações pulsando forte.
Respiração ofegante.
Num sussurro surge um pedido
E o silêncio toma conta dos seres.
Os corpos são tomados pelo desejo,
Dúvida e medo.
Em seguida, um gesto de ternura:
Um beijo terno e suave alcança suas mãos.
O impulso do desejo aproxima os lábios
Ardentes e envoltos de paixão.
Sussurros... intimidade.
Agora duas almas,
Dois corpos enlaçados,
Experimentam a simbiose da alma.
Antes, dúvida
Agora, certeza.
Vida e liberdade
Emergem das suas entranhas em forma de comunhão.
Vida, sonho e história distintos
Com um mesmo objetivo:
O de romper com os "cordões" da vida
Para viver subjetiva
E intensamente este imenso amor.


Ivonete Almeida de Jesus é natural de Jequié-BA. Pedagoga pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Funcionária Pública Federal. Adora ler todo tipo de literatura, participar de encontros que favoreça mais conhecimentos na área da educação. Realiza pesquisas na área da Literatura Infantil por acreditar que a lecto-escrita contribui no processo de desenvolvimento das crianças. Adora ler e escrever poesias, sobretudo as de cunho crítico.

Versos de mim vivendo
(Jacqueline Aisenman)

Meus sentidos mutilados
pela ausência de ti, percorro em silêncio
as letras que formaram um dia
o sentimento acolhido em meu coração.

Sem mais alguma alegria
Olhos vagando o extenso
Sinto evaporar toda emoção que um dia vivi
e por ti foram levados.

Brinco com as dores como se fossem
bolas de sabão no ar voando leve
enquanto esvai-se o coração sangrando.

E os amores, estes mesmo que pudessem,
não recitariam a poesia breve
dos que de paixão vão se acabando.

Meu corpo e alma conquistados
pelo que foste e não mais és, atravesso o mundo,
de repente imenso, a vida que entre nós se via,
delírio entoado num diapasão.

E mesmo se ainda aos teus pés,
e mesmo que perdida na desilusão
ergo de mim a vida em pedaços cortados,
salvo a vontade de um viver intenso
e alcanço a liberdade que queria.


Tempos (do verbo) amor
(Jacqueline Aisenman)

Eu te amo
(e o que importa?)
Tu não me amas (mais)
Ele me ama (quem sabe?)
Ela te amaria (talvez...)
Nós nos amamos (no passado)
(Amar além de verbo,
é um jogo).
(Amor, além de sentimento,
será ferida).
(Amando somos seres
instáveis).
Amor é fogo
Amor é vida
Quem ama se torna
vulnerável.

Jacqueline Aisenman é natural de Santa Catarina, Jacqueline recebeu este nome de sua avó paterna. Escreve desde pequena, pois seu coração capricorniano nem sempre consegue se expressar pela voz ou pelos gestos. Editou em 2007 o livro Coracional e tem em seu site Sentimentos Confiscados e em seu Blog Certas Linhas um meio de expressão constante.


Cajazedas a luz te iluminou
(José Manuel Ribeiro Maçanita)

Tu és a última cidade da Paraíba
Muito humilde e muito vistosa és
Como o teu belo verde te compõe

Tu te encontras enfeitada de tudo o que é de bom
As tuas cachoeiras belas e lindas e cintilantes
Com as suas águas límpidas e cristalinas

O teu perfume da tua natureza se espalhou
Toda a tua alegria aumentou em todo o redor
A frescura da noite se rodeou em todo o lado

Com o teu carinho e cheio de amor
O teu vento soprou com muito amor
O teu amor e a tua alegria se unificou, Cajazedas


A minha querida Serra do Ouro da minha Bahia
(José Manuel Ribeiro Maçanita)

Ó serra minha da minha linda Bahia
O teu serrado do teu interior é belo
O brilho que tu tens é natural

No teu fundo da serra existe só ouro
No teu subterrâneo existe muita coisa bela...
Tua serra do ouro brilhas e cintilas imenso

Tantos Baianos trabalham com tanta alegria
Do teu fundo da serra do ouro está muita riqueza
Quantos sentimentos tu tens serra minha

Que grande alegria que tu dás à tua gente, serra minha
Os garimpeiros te admiram e te amam sem parar
O teu brilho surge e enaltece o teu poder imenso...

Quantos anos transformaram-te em tanta riqueza
Debaixo do teu sopé apareceu minha querida serra do ouro
Um filão de ouro apareceu da minha querida serra do ouro
Como eu te amo e te adoro serra minha da minha vida...

José Manuel Ribeiro Maçanita chegou ao Brasil no dia 21 de Outubro de 2002. No Ano de 2004 teve um encontro com Deus e pediu a ELE para ser um escritor poeta e compositor. A partir daí começou a escrever para 350 mil garotas do Brasil, fez um programa numa rádio e gravou o CD Águia Poesia com 20 poemas.



Gaivota
(Lourdes Neves Cúrcio)

Pudera eu cruzar o céu qual gaivota
Voar livre por todo esse imenso mar
Ver o reflexo do sol sobre essas águas
Pelo vento incerto me deixar levar!

Sem destino certamente eu voaria
Tendo o azul do céu e o mar como limite
Por uma aura de paz eu me envolveria
Para trás todo o lamento eu deixaria!

Pudera eu então de vez desvencilhar-me
De tudo aquilo que extenua o meu ser
Bater as asas num gesto de liberdade
Extravasar num grito a dor e a saudade!

Gaivota, com você quero voar
Bailar ao ritmo das ondas desse mar
Imitar a tua graciosidade
Desfrutar de toda a tua liberdade!

Ave marinha, eu teria a singeleza
Da cor branca que envolve tua plumagem
E ao pousar na areia eu adormeceria
Agraciada pela emoção da viagem!

Gaivota, abriga-me em tuas asas
Quero viver esse momento alucinante
Aventurar-me nesse azul exuberante
E contigo voar para bem distante!


Lua
(Lourdes Neves Cúrcio)

Rasgando o negro véu da noite surge a lua
Eterna musa inspiradora dos poetas
Que o acompanha pelas noites solitárias
Com seus intentos rapidamente se entrosa
Somente para ser cantada em verso e prosa.

Lua discreta que desponta sorrateira
E a face oculta da noite vai descobrindo
Com as estrelas tem grande cumplicidade
Flagram juntas o que é feito às escondidas
Enquanto o sol a sono solto está dormindo.

Lua silente, testemunha dos amantes
Ouvidora de suas juras e sussurros
Conhecedora de seus velados segredos
E de seus tantos devaneios incessantes.

Lua que brinca de se esconder do sol
E ao redor da terra gosta de viajar
Lua atraente que o homem busca alcançar
Para um por um de seus mistérios desvendar.

Lua que é tema de inesquecíveis canções
Violeiros por ela são inspirados
Há quem diga que ela acalenta sonhos...
Há que afirme que ela é dos namorados.

Irresistível tomar um banho de lua
Apreciar o belo luar do sertão
Dedilhar a viola enluarada
Deixar a lua se transformar em canção.

Lua que rege, que governa, que domina...
Que embriaga, que inspira e que seduz,
Seja crescente, cheia, nova ou minguante
Seja do ébrio, do poeta ou dos amantes.


Lourdes Neves Cúrcio é natural de São João Nepomuceno-MG. Escritora, Bacharel em Direito. Reside atualmente na cidade de Barra Mansa-RJ e é funcionária pública em Volta Redonda-RJ. Membro efetivo da Fundação Cultural Del’Secchi, é autora do livro REFLEXÕES POÉTICAS e de inúmeras poesias, crônicas e contos publicados em dezenas de Antologias Literárias. Foi premiada em diversos Concursos Literários de âmbito nacional e internacional. É participante da Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e do Celeiro de Escritores. Contato: lnc@portalvr.com


Dar-te-ei
(Lucymar Soares)

Dar- te o que me pedes?
Dar-te-ei muito mais
A lua...
O sol...
Uma Estrela?
Não
Dar-te-ei uma constelação
Pedes o meu coração
Dar-te-ei a vida
Que pulsa
Em minhas veias
Dar-te-ei minha alma
E a mim mesmas
Te darei
Assim saberás
Que sou capaz
De dar-te tudo.


Nada te darei
(Lucymar Soares)

Dar-te o que me pedes?
Nada te darei
Quando acaba o amor
Acaba a dependência
Retemos as promessas
Guardamos as carícias
Nada nos motiva
A dor, a vida
Escondemos a alma
Fingimos lembrar
Da saudade
É uma sensação
Estranha
Dar-se tudo
Quando se ama
Nada se dá
Quando o amor esfria



Lucymar Soares é natural de Serra dos Aimorés-MG. Jornalista, Poeta, Membro Correspondente da Oficial Academia Tijuquense de Letra-SC.


A brisa e a poesia
(Paola Rhoden)

As folhas do meu jardim,
na brisa brincalhona,
agitam suavemente.
Prestando atenção eu vi,
em cada movimento
uma mensagem veemente,
enviada ao coração
que vibra docemente,
ao trinar do bem-te-vi.

Pensamento vem à mão
tocado pela mente
do poeta brincalhão.
E no crescer da grama acontece
o assovio do vento do oeste
trazendo a chuva faceira
que em pingos macios semeia
a vida do verde em mim
cantando pra luz do leste
as flores do meu jardim.







Lembranças do coração
(Paola Rhoden)

Doces lembranças
vêm com a madrugada.
Fico calada,
o silêncio me fala,
e a esperança
volta a gemer.
Olho a noite gelada
A lua se cala
E a saudade a doer.
Mas quem sou
pra dizer ao mundo
o que quero,
apenas espero,
o meu verdadeiro querer,
pois nem sei para onde vou,
nem sei se restou
lugar para eu viver.


Paola Rhoden é natural de Inácio Martins-PR. Publicou dois livros e foi premiada em vários concursos literários, no exterior e no Brasil. Vários de seus textos fazem parte de dez antologias.
Meu amor será...
(Patrícia Correia)

Sublime ao luar
Majestoso no falar
Gestos no olhar
Coisas a confessar...

Simplesmente sincero,
Sereno e terno.
De beleza sutil,
Atitude viril...

Príncipe ou Rei?
Rainha serei. Será?
Sonho ou realidade?
Linda paisagem...

Desilusão ou conquista?
O coração explica...
Meu amor será...
Amor, amado.




O encontro do amor...
(Patrícia Correia)

De repente, um olhar
Um desejo no ar...
O coração disparado
Sentimento aprisionado...

Quando ele chegou
Não deu explicação...
Invadiu o pensamento
Alucinou a razão...

A emoção ressuscitou!
O desejo explorou!
O silêncio gritou!
Mas, a alma flutuou.

Patrícia Correia é natural de Olinda-PE. Formada em Letras pela FUNESO, Artista Plástica e Poetisa. A primeira oportunidade em livro foi com a Antologia Poética III em 2008, reunida por Valdeck Almeida de Jesus, mas escreve poemas, contos, fábulas etc, desde os 15 anos. Também participa do site literário Garganta da Serpente. Gosta de expressar o universo das palavras e das cores com intensidade, criatividade e ousadia.


Éros e Afrodite
(Rita de Cássia Cornejo da Silva)

As horas eram solitárias e penosas diante da grande missão que ela tinha: vencer as batalhas do Olimpo somente com a força do amor... Em cada gesto, ficava apenas o perfume doce e misterioso de Afrodite por onde quer que ela passasse...
Numa noite quente de lua cheia, o anjo da morte, o amor sobre o manto da obstinação a encontrou no monte Cáucaso, ao pé do lindo ornamento da natureza...
Ao se aproximar da vítima, Éros olhou-lhe nos olhos e petrificou: a missão perdeu o sentido logo em seguida e o anjo da morte não conseguiu simplesmente... matar! Viu no reflexo daqueles olhos a estampa do infinito e também o seu coração a se desmanchar...
Tomado de amores, Éros levou Afrodite dali e no monte de páscoa se amaram toda a noite, um delírio a se eternizar! Os corpos se uniram em uma harmonia espetacular, como se completassem o que faltava em cada um.
As bocas úmidas e insaciáveis percorreram um o corpo do outro, cada canto, cada recôndito espaço que se pode querer tocar... A língua de Eros atravessou Afrodite como um relâmpago, colocando-a em êxtase diante do sentir... seu corpo tremeu ao sentir aquele toque e a cada movimento a ânsia de fazê-lo seu aumentou...
Com um urro de paixão, Afrodite aos toques de Eros, desfaleceu, entrando no paraíso de Morfeu... suspirando, gemendo de prazer ao entregar-se àquele toque tão intenso e ao mesmo tempo sutil.
Após o momento mágico do clímax, Afrodite não arrefeceu, no olhar traduzido pelo gozo estava o amor que a partir daquele instante iria dar para seu Deus! Com mãos vorazes, encontrou no íntimo de Eros um ponto frágil, um quê de menino que jamais o mais terrível dos guerreiros conheceu. Começou a senti-lo cada vez mais dentro dela e o maravilhoso desespero tomou conta de seu corpo... Eros sussurrava palavras incontidas de prazer e dizia-lhe que para sempre iria ser seu...
No inigualável momento da paz, os corpos de ambos, mareados de amor já não conseguiam se descolar. Viraram UM SÓ E MESMO CORPO na intensidade da paixão que os envolveu. Conta assim a lenda que, a partir deste dia, Eros nunca mais foi capaz de amar outra mulher, bem como Afrodite jamais se entregou a outro homem como um dia foi de seu eterno Romeu!!!




Nossa Missão
(Rita de Cássia Cornejo da Silva)

Tua presença faz-me querer brindar a vida todos os dias...
Mesmo os que não estão comigo, pois teu espírito percorre meu corpo
E habita há muito o meu sangue...
Tua força norteia meus princípios, tua voz fala a meus ouvidos palavras de amor
Quando me encontro no escuro de minha solidão.
Teu olhar está refletido em tudo que vejo, até mesmo quando me olho no espelho... te vejo em mim...
Tantas carícias trocadas, tanto sentimento guardado só para você desde o início de minha jornada, tão antiga que nem lembro do começo.
Tua boca coloca meu íntimo em chamas, querendo sair de mim para ir de encontro ao seu interior, numa união que me é tão necessária quanto o ato de respirar...
Teu corpo, tua pele exige a presença da minha para que juntas sintonizemos nossos pensamentos na mesma vibração.
E nessa eterna dança te reconheço a cada encontro nosso, que não tem data de início, meio ou fim, mas marcadamente, é a única forma de mostrarmos verdadeiramente quem somos e terminarmos em uma vida qualquer, nossa maior missão:
Buscarmos a felicidade, carregando nossa mais abençoada cruz, e da forma que for, compormos através desse amor, uma linda e inesquecível...
Canção de luz!

Rita de Cássia Cornejo da Silva é autodidata, escreve desde os 15 anos. Publicou nos últimos anos, poesias e crônicas no jornal da cidade onde morou, Pelotas-RS. Publicou um livro de poesias “O Quinto Elemento” pela Editora da UFPel (Universidade Federal de Pelotas-RS) em 1999. Mora em Florianópolis e está escrevendo um Romance. Tem dois livros inéditos de poesia ainda não editados, a saber: “O Livro do Tempo” e “Ethos – o jogo da vida”, terminados em dezembro de 2008.


Amor platônico
(Rose Gonçalves)

Como é lindo o amor platônico,
Cada dia alimentado como se fosse um tônico.
Os sonhos de um solitário coração,
Às vezes se confundem com uma bela oração.

Sentimento solitário e puro,
Navega pelos caminhos no escuro.
A espera de um olhar, um sorriso que seja,
E já se contenta com tão formosa beleza.

Ah! Romantismo cruel,
No mesmo instante que é lindo, amarga como fel.
Um sorriso solitário sonhando com o dia,
Que o amor deixe de ser platônico e se transforme em alegria.

Mas o coração traiçoeiro,
Que não escolhe direção.
Insiste em amar em silêncio,
Com toda intensidade e emoção.

A cada dia que amanhece,
Ela ama e se enternece.
E a cada noite quando adormece,
Ela sonha e se entristece.





















Amor dos sonhos e amor universal
(Rose Gonçalves)

Lindo tema que encanta plateias,
Muito marcante entre mocinho e plebeia.
Grandes duelos marcados a distância,
Para defender o belo amor dos tempos de criança.

Caminha muito perto do amor impossível,
Mas não se deixa vencer e é intransferível.
Toda mulher já teve este sonho,
Mas a realidade te acorda com um sorriso tristonho.

Bom mesmo é nunca deixar de amar,
Seja ele como for é permitido sonhar.
Passe pelo mundo e se delicie com os sonhos amorosos,
Pois a vida real já tem seus momentos dolorosos.

Mas há também o amor universal,
De pai, mãe, filhos, natal.
O amor que faz o mundo girar,
O amor que aos mais sensíveis faz chorar.

Este amor é que dá vida aos corações mais puros,
Que se ocupam em tocar a alma dos homens duros.
Na esperança de que um dia possam mudar,
E com muita alegria aprender a amar.

O amor universal renova a vida,
Do homem, da mulher, da criança, da rapariga.
Para este amor não existe preconceito,
Para este amor todos têm o mesmo direito.

Rose Gonçalves é natural de Lavras–MG. Viúva, dois filhos, cantora, professora de canto e escritora. Em 2008 lançou seu primeiro livro “Viagens Profundas” publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores – RJ. Classificou-se em 14º lugar no XXVI Concurso Internacional Literário na categoria poesia promovido pela Edições AG com dois trabalhos, Premiada com menção honrosa no Concurso Emoções em Prosa e Verso de 2009, promovido pela Academia Varginhense de Letras com o texto “Não julgue para não ser julgado”. Em 2009 lança seu primeiro livro infantil “Zezinho e as ruas de uma capital”.

Medo
(Sandra L. Stabile)


Sentimento obscuro que nos traz insegurança,
Faz sentir medo de tudo até mesmo do que imaginamos
que possa acontecer.
Medo de que achem nossa idéia descabida.
Medo de que nos considerem incompetente.
Medo de dar vexame.
Medo de sair... Viajar, de pensar
Medo de reclamar pelos nossos direitos
Medo de AMAR? Sim, medo de amar
Medo de lutar pelos nossos objetivos
Medo desse medo que nos impede de sonhar, realizar!
Medo de tudo, medo do nada!
Somos prisioneiros do medo que aprisiona até mesmo
nossos pensamentos.
Medo de perguntar por quê?
É nosso direito saber...
Medo de comer isso ou aquilo porque faz mal
Medo de perguntar... Medo de responder!
Medo de tudo...
Medo de viver!
Por quê??




Meu eterno namorado
(Sandra L. Stabile)

Passo horas tentando escrever algo bonito, criativo
que te diga o quanto você é importante para mim,
no fim foi isso que te escrevi.
A felicidade faz parte do sucesso e contentamento que sentimos,
o bom êxito na sua vida me traz contentamento,
faço tudo para te ver sorrir.
Sua felicidade é minha alegria,
suas tristezas também são minhas,
seu sucesso é minha vitória
Quero sempre te ver progredir.
Você é meu carinho, minha felicidade,
suas realizações é sinal que completamos um ao outro
e isso só nos traz tranquilidade.
Estar ao teu lado participar das tuas lutas me faz crescer,
amadurecer, ter percepção do mundo
tudo isso só ao teu lado tem significado.
Percebo em sua companhia que o passar do tempo não é um fardo,
mas um elemento importante para o aperfeiçoamento
da vida para o nosso aprendizado.
Não canso de dizer TE AMO
O amor que sinto hoje por você é o de ontem
e será para toda a eternidade.
Tenha esperança nos anos que virão,
desejo que tenhamos todos motivos para sorrir
nenhum para chorar, a ti pertence meu coração.
Que nossa vida seja cheia de prosperidade
e que sejamos eternos namorados.
Que a vida nos separe só quando eu morrer,
pois para sempre com você quero viver!

Sandra L. Stabile de Queiroz é natural de Salvador-BA, casada, formada em Administração de Empresa, escritora e poeta. Idealizadora do Projeto Alma Brasileira de Antologia e do POLIESCO - Poesia Livre na Escola. Coordenou os eventos do Fórum Social Mundial Temático da Bahia na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Dirige um trabalho de incentivo a leitura com crianças em Escola Pública, o qual seleciona poemas em uma Antologia Juvenil para distribuição às Bibliotecas das Escolas Públicas do Brasil inteiro. Participou de diversas antologias de poesias e tem um livro infantil no prelo. Blog: http://almabrasileirapoema.blogspot.com


Alvorecer
(Saulo Feitoza)

Fico ali distante de tudo
Sem saber
Se o nosso amor
Vai até além do horizonte...
Foi assim mesmo
Diante desse imenso mar
sem tormenta
Onde o barco navega manso
O amanhã virá novamente
Com o nascer do dia
Num lindo sol de verão
Numa linda noite estrelada
Senti que o amor puro
Exala um perfume delicioso
Com muita alegria no coração
Sem perder o calor da emoção
Em toda a parte
Existe uma arte
Nesse amor destaque
Essencial até na eternidade...
Espero muito de mim
Espero muito de nós
Desse amor espero muito
Muito mais do que tudo
Nem sei do futuro...







Amor Insano
(Saulo Feitoza)

Aquele amor meio insano
De forma galopante
Sem compromisso e sem juízo
Aconteceu naquele momento
Quando fui ao seu encontro
Vou querer continuar
Aquele amor meio insano
E viver intensamente
Mesmo que seja um engano
Nem sei se vai durar
Mas enquanto existir
Aquele amor meio insano
Mesmo em meio à tempestade
Um dia essa tormenta irá passar
E a bonança chegará
Nada há de mais importante
Nem negro e nem branco
Nem índio e nem mestiço
Aquele amor meio insano
Para sempre irá aflorar
Para muitos o amor
Para poucos o ódio
Para alguns a timidez
Para outros a coragem
Aquele amor meio insano

Saulo Feitoza é paraibano, natural de Campina Grande. É Engenheiro Mecânico, com curso de Especialização em Segurança do Trabalho. Concluiu o curso de MBA em Gestão de Pessoas pela USP. É funcionário de carreira do Banco do Brasil desde o ano de 1982 e educador da Universidade Corporativa do mesmo banco desde 1999. Tem poesia publicada no IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus 2008. Seu primeiro trabalho literário “AFLORAR” composto de linguagem simples, porém plena de sentimentos, encontra-se em fase de edição.
Blog: www.aflorar24x7.blogspot.com
Contato: Saulo.feitoza@hotmail.com

O Amor
(Silvio Parise)

Desde a antiguidade
que alguns filósofos tentavam
falar sobre o amor, pois achavam
ser um tópico de valor
para uma sociedade cuja dor
estava cada vez mais claro.
Acontece, que até hoje,
ninguém na realidade conseguiu
elaborar convincente
esse sentimento que muitos sentem
embora de formas diferentes
qual, eloquentemente chamamos de Amor.
Afeição essa sentida
verdadeiramente de várias formas
daí, ser mesmo gloriosa
devido ao poder que tem.
Pois, une vidas completamente diferentes,
muitas vezes até mesmo divididas
e, apesar das inúmeras intrigas
que comumente acontecem,
justiça seja dita,
porque é uma palavra digna
portanto, completamente livre de engano.
E francamente falando,
escuto-a constantemente
nas horas quando os amigos são frequentes
ou até mesmo quando só no meu quarto
com fé oro de fato para que essa paixão dure sempre!
Pois o Amor é assim,
vem sempre em ondas coloridas
e, todo aquele que abraçar essa liga
na paz sorrirá eternamente.




Línguas
(Silvio Parise)

Adoro sentir nossas línguas
em beijos nunca atrevidos
aliás, são sempre bem vindos
até nas horas em que nos exaltamos
por algo que não concordamos
como por exemplo: um evento
que sabemos irá complicar
a hora de irmos deitar
momento esse, para mim imprescindível.
Pois te amo e te quero
exatamente da maneira que és!
E, quando não te sinto ou vejo
em nosso refúgio cujos segredos
contrastam com os quadros
de humanos nus e livres
na teimosia que a beleza existe
mostrando o corpo com todo o seu esplendor
para nesse sabor refletir e sorrir
entre afagos, sussurros e beijos,
paredes que não nos impõem medo
pois vivemos um grande e sublime amor.
Portanto, assim existimos
na nossa forma de amar,
abraçando e sendo abraçados
em beijos livres e prolongados
aproveitando ao máximo o nosso bem estar.
Porque gostamos quando as nossas línguas
em carícias de afeto se tocam
demonstrando um romantismo maduro
vindo de corações corajosos
por continuamente aceitar sempre Amar.


Silvio Parise nasceu no bairro do Catete, Rio de Janeiro, em junho de 1957. É poeta, escritor, compositor, filósofo, missionário cristão e tradutor. Tem 8 livros poéticos publicados, participação em mais de 70 Antologias nacionais e internacionais, as quais lhes renderam alguns prêmios, dentre eles, o 9th Brazilian International Press Award com a coletânea Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras - Vol II (2006). Escreveu mais de 2 mil poemas e sonetos, assim como, mais de cem poesias líricas. Alguns de seus trabalhos foram gravados pelo Augusto Pitta. Participou, em 2003 e 2009, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. É membro do BEA/UBENY, admirador da doutrina internacionalista, gosta de meditar e adora Jesus Cristo. Seu hobby preferido é escrever.

A boneca
(Simone Alves Pedersen)

Pés descalços no chão
Corpo disforme, raquítico
Barriga grande
Dedo sujo na boca

Terra molhada,
Esgoto a céu aberto
Caixas de papelão
Lar dos subumanos

Urubus e capivaras
Animais de estimação
A boneca tão limpinha
Aninhada no coração

A menina cresceu
E cheirou cola
Depois vendeu seu corpo
Assaltou pedestres felizes
E se mudou para a prisão...

Mas a boneca, ah!
Aquela boneca
Sem cabelos
Lavada com lágrimas
Choradas pela dor de fome
A boneca, ah, a boneca!
A menina levou com ela.






Siameses
(Simone Alves Pedersen)

As flores secas e sem vida
No vaso de cristal sobre a mesa
Mostram um tempo que já se foi
E o que fomos eu e você
O perfume que não mais embriaga
A beleza que não mais encanta
No gesto o amor contido
Despetalado e exaurido
Houve um tempo de sementes
Antes de florescer o nosso amor
Fecundas no ventre da paixão
Siameses desenvolvemos laços infinitos
Sem espaço para ser um mais um
Sufocados, ressentidos
Somos hoje nenhum

Simone Alves Pedersen nasceu em São Caetano do Sul-SP, em 1966. Formou-se em Direito. Viveu muitos anos na Europa, retornando ao Brasil em 2005. Hoje reside no interior de São Paulo. Tem vários textos publicados em antologias, na forma de crônicas, contos e poesias. É colunista do jornal “Folha de Vinhedo” e em breve lançará o primeiro livro infantil “A Vila Felina”.


Sou louco
(Valdeck Almeida de Jesus)

Quero transformar:
A mentira e a traição em confiança;
Louco para fazer da fome, mesa farta;
Da indiferença, atenção;
Sou louco para fazer da roubalheira,
Divisão igualitária de riquezas;
Da corrupção, compaixão;
Sou louco para fazer da violência,
Equilíbrio social;
Sonho em fazer do frio, abrigo;
Do aborto, um abraço afetivo;
Sou louco para fazer do desamor,
Carícia;
E da ganância, solidariedade.
Só assim teremos paz!





Meu amor
(Valdeck Almeida de Jesus)

O amor que sinto
É algo maior que eu
Maior que você
Maior que nós

Este sentimento
Que me alimenta
Sustenta meu corpo
Anima meu ser

Não dá pra medir
Não posso negar
Este sentimento
É tudo o que há.

Salvador, 11 de junho de 2009
Para Meu Amor


VALDECK ALMEIDA DE JESUS, 43, Jornalista, funcionário público, editor de livros e palestrante. Membro correspondente da Academia de Letras de Jequié e efetivo da União Brasileira de Escritores. Nomeado Embaixador Universal da Paz, em janeiro de 2010. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005, o qual já lançou mais de 500 poetas. Expõe seus textos no site www.galinhapulando.com
Contato com o autor: valdeck2007@gmail.com






Criança
(Valmir Almeida de Jesus)

Presentes? Pra que presentes?
Por que lembrar do futuro
Com simples lembranças
Que vão se quebrar?
Nossas crianças precisam
De amor, carinho
E muita compreensão.
Não apenas o dia 12
É dia de comemoração.


Mãe
(Valmir Almeida de Jesus)

Só lembramos dela
Nas horas de precisão
Só lembramos dela
Quando aperta o coração.
Mãe é coisa divina
Que sempre precisa
Ser amada e guardada
Dentro do coração.
Mãe, te amo e te amarei
Com eterna paixão.


Valmir Almeida de Jesus é natural de Jequié-BA, amante das letras e das artes. Escreve desde criança, mas sempre esconde os escritos em gavetas e armários secretos. Seu tema predileto é o cotidiano, os sentimentos e a alma humana. Esta é sua primeira participação em livro.


Sonho
(Varenka de Fátima Araújo)

Sonhar contigo, meu amor
Sonhar contigo por toda a vida
Sonha contigo é um encontro
Com a essência mais interna do próprio ser
Sonhar contigo, meu amor
No sonho mais profundo
E por querer intensamente
Sinto que solto as amorosas, posso criar
Sinto que criando, no encanto!
Sonhar contigo é uma dádiva!
Faz sentido a vida
Na química perfeita
Ser criativa, sonhar por toda vida
Um momento, certifico que sonho, meu amor.


Amado
(Varenka de Fátima)

O primeiro amor é amargo
Aquele que tem o coração sem amor
Insensato, machuca e aniquila
Perdoa a minha falha
O segundo amor é doce
Amado João Jorge
Foste o meu segundo amor
Eu tinha diante dos olhos o teu amor
Guardado do lado esquerdo
Que não temia nem o exercito
De Alexandre rei da Macedônia
Meu coração não tremia
Confiante no teu amor
A noite, tu preparavas o dia seguinte
Sim, maravilha foram os dias amado
Sim, só amor e felicidade
De súbito a separação
Um amor perdido
Que não verei jamais.

Varenka de Fátima Araújo é formada em Direção teatral pela Universidade Federal da Bahia, cursou licenciatura em Desenho na Escola de Belas Artes da UFBA É figurinista da Escola de Teatro da UFBA. Professora de teatro em Salvador e em 1984 no Panamá. Em 2009 participou do livro Ecos Machadianos, coletânea verso e prosa, teve participação com a poesia Salvador no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus. Teve duas poesias na Antologia Delicatta IV prosa e verso, Poeta, Mostra Tua Cara. É colaboradora da revista Artpoesia e Minirevista Contando e Poetizando, de Marcos Toledo e do GACBA.


Silêncio
(Yao Jingming)

Ao cabo
pusemos o silêncio no centro,
como se põe a mesa,
para a qual nada foi servido.
O banquete já tinha acabado
E, nunca mais, sentados à mesa
deixaremos florir a linguagem.
Silêncio. Apenas o canto eventual
o desperta.
O que murmuram os pássaros
nos ramos do sonho?
Não sonhamos de novo,
nesta noite menos nossa.
Ainda o silêncio. O vento sopra
a abundância do teu cabelo
o grito, o uivo…

Viagem
(Yao Jingming)

Torci a sombra atrás de mim
para fazer uma corda.
Caminho em silêncio
levando a corda a estrada, este cavalo velho.
Todos os dias o pôr-do-sol é um aborto
e o relógio tem em si a suficiência do tempo.
No fundo da noite, não há direção
só o redor, o além.
Um por um, tiro do corpo os fósforos
cuja cabeça encarnada
rompe com o muro do escuro.

Yao Jingming nasceu em Pequim em 1958 e atualmente é docente na Universidade de Macau. Dedica-se à tradução literária, escreve crônicas e já publicou, em chinês e em português, seis obras de poesia. Coordena a revista Poesia Sino-Ocidental e recebeu em 2005 o Prêmio de Poesia Rougang. Em 2006 recebeu a medalha da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Estado português.


CURRÍCULO DO ORGANIZADOR
VALDECK ALMEIDA DE JESUS é jornalista, escritor, poeta e funcionário público federal. Nasceu a 15 de fevereiro de 1966 em Jequié-BA, onde viveu até aos seis anos de idade, quando foi residir na Fazenda Turmalina (região de Itagibá-BA), onde continuou a estudar em escola pública até os 12 anos de idade. Aluno exemplar, retornou a Jequié-BA para se matricular na 5ª série do primeiro grau, em escola pública. Ingressou nas Faculdades de Enfermagem e de Letras, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em 1990; na Faculdade de Turismo, na Faculdade São Salvador, não concluindo os cursos. Reside em Salvador, desde fevereiro de 1993. Atualmente faz o curso de Jornalismo na Faculdade Social da Bahia.

Na capital, fez cursos de informática, teatro, relações humanas e fotografia. Fez, ainda, curso de espanhol durante dois meses em Madri (Espanha), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Puerto Iguazu (Argentina), Ciudad del Este (Paraguay) e La Habana (Cuba) e de inglês por três anos em Salvador, complementado por curso intensivo de três meses em Nova York, Estados Unidos.

Prêmios Literários:

a) 1° Lugar no concurso sobre Paralisia Infantil, promovido pela Diretoria Regional de Saúde de Jequié-BA, em conjunto com o programa Mendes Show Dez, da Rádio Baiana de Jequié. Junho de 1982;

b) 2º Lugar no concurso de redação em homenagem ao segundo aniversário do jornal Sudoeste, de Jequié-BA, em julho de 1989;

c) Menção Honrosa em 1989 no 1° Concurso Nacional de Poesia, promovido pelo Instituto Internacional da Poesia, de Porto Alegre-RS;

d) Menção Honrosa no Concurso Literário Oswald de Andrade, promovido pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em 1990, na cidade de Jequié-BA;

e) Classificação no concurso literário Bahia de Todas as Letras, promovido pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus-Ba, no ano de 2007, com o conto “Eu e o Word”, com nota 7 (sete);

f) Classificação no concurso literário realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal da Bahia, com a crônica “Alice”, no ano de 2007, em Salvador-BA;

g) Destaque no XII Concurso de Poesias, Contos e Crônicas realizado em 2007 pela ALPAS XXI, em Cruz Alta-RS com o texto “Minha paixão por livros”;
h) Prêmio Luiz Mott de Cidadania 2008, pelo conjunto da obra, pela defesa dos direitos humanos e dos homossexuais, em indicação feita pelo Glich – Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual, de Feira de Santana-BA;
i) Medalha de agradecimento e homenagem por incentivar a leitura. Outorgante: Biblioteca Comunitária do Calabar e Avante – Educação e Mobilização Social. Premiação: agosto de 2009;
j) Medalha Hermano Gouveia Neto, por incentivo a leitura, no projeto Resgatando a Seliba 2009. Outorgante: Colégio Cecília, de Simões Filho-BA;
k) Nomeado Embaixador Universal da Paz, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França, em 20 de janeiro de 2010, em Genegra, Suíça.


Participa das antologias:

“Poetas Brasileiros de Hoje –1984”, Shogun Arte, Rio de Janeiro-RJ, 1984;

“Transcendental”, publicado em Salvador em 1996, pela Editora Gráfica da Bahia;

“II Antologia Cultural: 500 Anos de Língua Portuguesa no Brasil”, Clube de Letras, Barra Bonita-SP, 2005;

“Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 14º volume”, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro-RJ, 2005;

“Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 15º volume”, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro-RJ, 2005;

“Letras Libertas - Contos, Crônicas e Poesias - Vol 2”, Ilha das Letras, Santa Catarina, 2005;

“XV Concurso Internacional Literário de Verão”, Agiraldo, São Paulo-SP, 2005;

“Palavras que Falam”, Scortecci, São Paulo-SP, 2005;

“Todas as Formas de Amar”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2005;

“O Amor na Literatura”, São Paulo-SP, Casa do Novo Autor, 2005;

“Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro-RJ, 2005;

“VII Antologia Nau Literária”, Komedi, São Paulo-SP, 2005;

“Ensaios Poéticos”, Academia Virtual Brasileira de Letras, 2005;

“Poetry Vibes”, Poetry Vibes, Ohio, USA, 2005;

“Ação e Reação. Pequenos Contos”, AVBL, São Paulo-SP, 2005 (livro eletrônico);


“Ensaio Poético. Natureza. Vida”, AVBL, São Paulo-SP, 2005 (livro eletrônico);


“Meu País é Este”, AVBL, São Paulo-SP, 2005 (livro eletrônico);

“20 Anos de Poesia – Caderno 32”, Oficina, Rio de Janeiro-RJ, 2005;

“Pérgula Literária – VII”, EVSA, Rio de Janeiro-RJ, 2005;

“Sangue, Suor e Lágrimas”, Arnaldo Giraldo, São Paulo-SP, 2006;

“Palavras Libertas”, Roma, Uberlândia-MG, 2007;

“Amor, Sublime Amor”, Litteris, Rio de Janeiro-RJ, 2006;

“XI Coletânea Komedi”, Komedi, Campinas-SP, 2007;

“Letras Intimistas”, aBrace, Montevidéu (Uruguay), 2007;

“Primavera de 2006 – Inverno de 2007”, Via Litterarum e Editus (UESC), Itabuna-Ilhéus-BA, 2007;

“Retratos Urbanos”, Andross, São Paulo-SP, 2008.

“Poemas e Outros Encantos: nova coletânea”, Edir Barbosa Editor, Teixeiras-MG, 2008.

“Elo de Palavras”, Scortecci, São Paulo-SP, 2008.

“Poesia do Brasil – volume 8”, Proyecto Cultural Sur – Brasil. Grafite, Porto Alegre-RS, 2008.

“Coletânea dos 44 melhores poemas de 2008”, 2º Concurso de poesia ABRACI. IMOS, Rio de Janeiro-RJ, 2008.

“Antologia Del Secchi – volume XVIII”. Org. Roberto de Castro Del’Secchi. DELSECCHI Editora, Rio de Janeiro-RJ, 2008.

“Livro de Todos: o mistério do texto roubado”, coordenação Imprensa Oficial, São Paulo-SP, 2008.

“Salvador: 460 anos de poesia”. Organizador Roberto Leal – Omnira, Salvador-BA, 2008.

“Poetas Del Mundo em Poesias”, Volume I, Gibim, Campo Grande-MS, 2008.

“Universo Paulistano. Contos, Crônicas e Poemas de Uma Cidade que Nunca Dorme”, Organizadores Edson Rossato e Carlos Francisco de Morais, Andross, São Paulo-SP, 2009.

“XIII Coletânea Komedi”. Komedi, Campinas-SP, 2009.

“Contos e Crônicas para Viagem”, Bruno Resende e Edir Barbosa (orgs.), Viçosa, Edir Barbosa Editor, Viçosa-MG, 2009.

“O que é que a Bahia tem”, Litteris, Rio de Janeiro-RJ, 2009.

“Comendadores da Ordem do Dragão Dourado – Antologia Poética”, Real Academia de Letras, Porto Alegre-RS, 2009.

“Ecos Machadianos”, Bureau Gráfica e Editora, Salvador-BA, 2009.

“Latinidade poética”, All Print Editora, São Paulo-SP, 2009.

“IV Coletânea – Poesia, Crônica e Conto 2009”, Tecnicópias, Canoas-RS, 2009.

“Vozes de Aço – IV Antologia Poética de Diversos Autores”, Volta Redonda-RJ, PoeArt Editora, 2009.

“Antologia Alma Brasileira”, Folha da Baixada, Praia Grande-SP, 2009.

“Contos, Crônicas e Artigos”, Fundação Omnira, Salvador-BA, 2009.

“Antologia Cidade Literária”, L&A Editores, Belém-PA, 2009.

“Projeto Literário Delicata IV – Poesias, Contos, Crônicas”, Scortecci, São Paulo-SP, 2009.


Livros publicados de forma independente:

“Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; Este livro reúne poesias de desabafo, muitas delas dedicadas a mulheres, quando na verdade o escritor falava de seus amores secretos, namorados homens;

“Feitiço Contra o Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo-SP, 2005; Livro de poesias;

“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo-SP, 2005; Conta a história da família do escritor Valdeck Almeida de Jesus, que enfrentou a fome e a miséria por mais de vinte anos e venceu. 100% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce;

“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2007; 20% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce;

Editor da “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2006;

“Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2005;

“Poemas Que Falam”, Casa no Novo Autor, São Paulo-SP, 2007;

“Valdeck é Prosa, Vanise é Poesia”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro-RJ, 2007;

Editor da “2ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2007;

“30 Anos de Poesia”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro-RJ, 2008;

Editor da “3ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2008;

“Memories from Brazilian Hell: The Saga of Almeida Family in the Garden of Éden”, iUniverse, Nova York (USA), 2008;

“Poemas de amor e outros temas”, Blurb, Nova York (USA), 2009;

“Armadilha – a verdadeira poesia brasileira”, Clube de Autores, São Paulo-SP, 2009;

“30 Anos de Poesia”, Virtual Books, Pará de Minas-MG, 2009;

“Minha alma nua” (Série Notáveis Poetas Brasileiros), Real Academia de Letras, Porto Alegre-RS, 2009;

Editor da “4ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2009;

Editor do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Contos LGBTs”, em 2010;

Editor do livro “Abre a Boca Calabar”, resultado de um concurso de poesias com crianças da comunidade Calabar, ex-quilombo, em Salvador-BA, em janeiro de 2010;

Editor da “Antologia do Amor”, que reúne poetas do Brasil, Estados Unidos e China, em janeiro de 2010.

Trabalhos Diversos

a) Expositor, como escritor independente, na Bienal do Livro da Bahia, em 2005, 2007 e 2009;

b) Expositor no III Corredor Literário da Paulista, de 09 a 14 de outubro de 2007, em São Paulo-SP;

c) Participação no V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS, de 26 a 31 de janeiro de 2005; Palestrante, expositor e promotor de mesas de debate sobre literatura baiana, leitura e mercado editorial durante o Forum Social Mundial Temático da Bahia, de 28 a 31 de janeiro de 2010;

d) Participação, como organizador da Mostra de Arte e Cultura, no II Congresso Estadual do Sindjufe-BA, de 01 a 03.06.2007, no Hotel Sol Bahia Atlântico, em Salvador-BA;

e) Tem poemas publicados nos jornais de grande circulação da capital e do interior do estado da Bahia, além de jornais de Brasília/DF; Colaborador, desde 1985, do jornal A PROSA, de Brasília/DF;

f) Colaborador da revista cultural Art’Poesia, de Salvador-BA, editada por Carlos Alberto Barreto, que publica poemas de autores do mundo inteiro;

g) Palestra na ONG Vento em Popa, no bairro Jardim Gaivotas, em São Paulo-SP, em 2007, com o tema “Motivação através da leitura”;

h) Colunista dos sites www.zonamix.com.br, www.radarmix.com e www.portalvilas.com.br, desde março de 2006. Nestes e em outros sites, o escritor colabora sempre com matérias ligadas a cultura, literatura, arte, preconceito, discriminação e assuntos relacionados aos LGBT’s;

i) Verbete do “Dicionário de Escritores Baianos”, Secretaria de Cultura e Turismo, Salvador, 2006;

j) Membro da Federação Canadense de Poetas desde 2004;

k) Membro da Associação Artes e Letras (França) desde 2005;

l) Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, desde março de 2006;

l1) Membro da Câmara Bahiana do Livro – CBaL, desde março de 2005;

m) Em 1987 participou da Diretoria Regional do Partido Comunista do Brasil e da União da Juventude Socialista - UJS, em Jequié/BA. Eleito o primeiro diretor de imprensa do Grêmio Estudantil Dinaelza Coqueiro, do Instituto de Educação Régis Pacheco, fundou o jornal Jornada Estudantil;

n) Fundador do fã-clube do Jean Wyllys (www.jeanwyllys.com). Site profissional de Valdeck Almeida: www.galinhapulando.com
O site Galinha Pulando apóia todos os eventos e movimentos de afirmação da cidadania, contra o racismo e, principalmente, contra a homofobia;

o) Colaborador do Café Literário de Camaçari/BA, evento realizado pela coordenação do PROLER – vários anos;

p) Participação na Feira do Livro Internacional de Paraty (FLIP), 2008;

q) Lançamento de três livros na Bienal Internacional de São Paulo, 2008;

r) Verbete no “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2009;

s) Membro Correspondente da Academia de Letras de Jequié;

t) Participante da "Mostra Poética: Cores das Letras no Brasil", realizado como atividade paralela do 4° Encontro Açoriano da Lusofonia, um dos mais expressivos eventos internacionais de fortalecimento da língua portuguesa no mundo, promovido pela Sociedade dos Poetas Advogados de Santa Catarina - SPA/SC, de 31 de março a 04 de abril de 2009, na Biblioteca da Escola Secundária de Lagoa, Açores, Portugal;

u) Palestra e oficina de poesias na Biblioteca Comunitária do Calabar, bairro remanescente de quilombo, em Salvador-BA;

v) Cônsul Honorífico da Real Academia de Letras, Ordem da Confraria dos Poetas;

x) Prefaciou os livros “Eu sou todo poema”, de Leandro de Assis; “Sonhos”, de Antonio Fagundes; “O homem que virou cerveja”, de Silas Correa; “Diário de Rafinha: as duas faces de um amor”, de Léo Dragone; apresentou o livro “Brincando de poesia”, de Adalberto Caldas Marques;

z) Participa do projeto “Fala Escritor”, idealizado pelo poeta Leandro de Assis, apresentado todo segundo sábado de cada mês no espaço Castro Alves, em um shopping de Salvador;

z1) Participação no Fórum Social Mundial Temático – Bahia 2010, com exposição e lançamento de livros, recitais e palestras.

Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/0857615247323241

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Fala galera do Porradão!


Televisão, política, homossexualidade, sociedade, entre outros assuntos, com Jean Wyllys. Quem pensa que esse cara é somente um ex-BBB que assumiu a homossexualidade na TV, está por fora! Além de ser jornalista, Jean é professor acadêmico, escritor, e está candidato a deputado federal pelo PSOL. Com um discurso politizado esse baiano arretado foi escolhido para o primeiro Porradão de 20 ao VIVO!


01 - Quem é Jean? Origem, estudos, caminhos a seguir…

Falar de mim mesmo é difícil, mas entendo que pedir para falar de mim é pedir pra falar de meu caráter, de como ele foi forjado; das minhas escolhas; trabalhos e daquilo que dá sentido à minha vida. Então vamos lá. Vou começar com um episódio que me marcou muito ao muito ainda ouvir seu eco em minha alma. Certa vez, aos seis anos de idade, eu fui comprar pão na venda e, chegando lá, na hora de fazer o pedido, eu fiz a concordância de nominal correta, "Por favor, eu quero seis pães". Havia alguns caras, homens feitos, bebendo na venda. Um deles, ouvindo a minha frase, disse, num tom de ameaça: "você é viado ou estudado?". Todos os outros riram. Era a primeira vez em que eu ouvi a palavra "viado". Não sabia o que ela significava, mas sabia pelo tom de ameaça do cara e pelo riso de escárnio dos outros, que eu não deveria ser aquilo.

A injúria contra os homossexuais – esse continuum que vai das primeiras ofensas verbais à violência real - provoca quase sempre estragos irreparáveis à subjetividade ou à alma de uma pessoa. Agora, Celso, imagine essa infância gay – sim é preciso falar de uma infância gay – combinada à pobreza extrema em que vivíamos na periferia de alagoinhas, em que sequer água e sanitário havia nas casas de aluguel em que morávamos?

Não bastasse a miséria, e talvez mesmo por conta dela, meu pai enfrentava problemas com alcoolismo e, por isso, não parava nos subempregos que, vez em quando, permita-lhe trazer comida pra casa. Minha mãe, semianalfabeta, trabalhava como lavadeira para não nos deixar morrer de fome. E, para ajudá-la nesta tarefa nobre, eu fui, aos dez anos de idade, para o mercado de trabalho informal. Comecei vendendo algodão-doce e folhinhas do sagrado coração de Jesus pelas ruas da cidade.

Trabalhava num turno e estudava em outro. Aos sábados e domingos, eu e meus irmãos nos dedicávamos às atividades do centro comunitário da baixa da candeia. Diante das necessidades, minha mãe queria que a gente abandonasse a escola para se dedicar mais ao trabalho: conseguir uma vaga numa oficina mecânica qualquer ou de cobrador de ônibus. Para ela, era importante que fôssemos honestos e respeitássemos o que era dos outros, mas para minha mãe não era tão importante que a gente estudasse, pois, na cabeça dela, dedicação a estudos era coisa de gente rica.

Acontece que eu sempre gostei de aprender e de ler. Sempre gostei da escola porque era lá que eu aprendia e lia. E para escola eu ia mesmo nos dias em que não havia absolutamente nada para comer lá em casa. E aos sábados e domingos passava horas na biblioteca da casa paroquial lendo livros. Livros que me deram valores humanistas e a preocupação com o outro, típicos do cristianismo – sim, porque se, por um lado, o cristianismo fundamentalista e sua ameaça ao estado laico e de direitos nos apavoram, por outro, é inegável que foi o cristianismo que nos trouxe essa idéia de que o que torna um homem virtuoso são os seus atos, ou seja, para o cristianismo, um ser humano é virtuoso quando age em favor do bem comum; livros que me levaram ao movimento pastoral da igreja católica – eu me engajei na pastoral da juventude estudantil e na pastoral da juventude do meio popular - e ao trabalho nas comunidades eclesiais de base. A família de meu pai sempre foi ligada ao candomblé, mas eu só vim me aproximar e me aprofundar nesta religião depois dos 20 anos, já homem feito.

Leitura e livros que me fizeram ver a televisão com outros olhos (televisão que só foi chegar à minha casa quando eu tinha 11 anos; antes minha mãe e eu assistíamos às novelas da janela do único vizinho que tinha TV no bairro). Livros que me fizeram escapar dos destinos imperfeitos aos quais ainda estão condenados os meninos e meninas dos bolsões de pobreza deste país.

Formei-me em informática no ensino médio, numa instituição de excelência voltada para alunos de escolas públicas do nordeste que estivessem acima da média 8,0: A Fundação José Carvalho; entrei no mercado formal de trabalho bem remunerado; nesse mesmo ano prestei vestibular para jornalismo na UFBA, onde me formei; trabalhei anos como jornalista e, depois de concluído o mestrado, passei a me dedicar mais ao ensino superior – sou professor de teoria da comunicação e de cultura brasileira. Deixei os anos de miséria para trás (não que eles ainda não me assombrem); fiz a tal mobilidade social sem contar com a ajuda financeira dos meus pais – que, ao contrário, dependiam de mim - nem com apadrinhamentos de qualquer tipo! Eu que poderia ter morrido de fome ou por falta de serviço público de saúde decente; que poderia ter sucumbido a uma bala de revólver da polícia ou dos bandidos ou à homofobia que reina nas comunidades. Transformei a minha vida e a de minha família para melhor. E poderia me contentar com isto e só olhar para frente!

Mas, e os que ficaram para trás? Aqueles que, abandonados pelo estado à própria sorte, não tiveram a força de vontade de resistir e sobreviver à miséria? E aqueles que ficariam para trás, que estariam fadados a morrer vitimas das guerras de quadrilhas ou nas mãos da polícia, como aconteceu a muitos dos meus colegas da baixa da candeia?

E aquelas crianças homossexuais que não sobreviveriam ao ambiente de hostilidade homofóbica? Como é possível viver contente se seus semelhantes ainda são vítimas das injustiças? A psicanálise nos ensina que todas as nossas escolhas são frutos das experiências de prazer e de desprazer na infância. A julgar pelas minhas escolhas, ela está certa. Como jornalista, em vez de me dedicar às frivolidades dos cadernos de cultura, dediquei-me ao jornalismo cidadão, ganhando três prêmios da ABI (Associação Baiana de Imprensa) e uma menção honrosa da ANDI (Agência Nacional dos Direitos da Infância) por matérias dedicadas à promoção dos direitos humanos, principalmente os direitos das crianças e dos adolescentes. E não me bastava publicar matérias! Eu queria colaborar com os movimentos sociais e a sociedade civil organizada, por isso, fui parceiro do GAPA (Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS), do GGB (Grupo Gay da Bahia) e da organização de auxílio fraterno, onde desenvolvi um programa de educação pela mídia e para mídia, voltado para crianças em situação de risco social. Como professor da Universidade Jorge Amado, criei uma pós-graduação latu sensu em jornalismo e direitos humanos. E como pesquisador, tendo sido alguém que veio das camadas da população que só têm acesso à cultura de massa – seja por falta de recursos para consumir bens simbólicos como teatro, concertos de música, discos importados e literatura, seja pela falta de políticas públicas que lhes dêem acesso à alta cultura – interessei-me em investigar os significados que a cultura de massa produz no imaginário popular e em investigar as razões de a mesma ser alvo dos preconceitos de certa elite intelectual deste país – elite que embora reserve, para si, a chamada alta cultura, como forma de justificar seus outros privilégios, menospreza, diminui ou criminaliza a cultura dos pobres (o funk está aí para provar isso). E foi esse interesse que me levou ao BBB. Pode haver gente egoísta no mundo, mas eu não faço parte dela, Celso, de verdade! Ter uma vida confortável, relativamente segura e trabalhar, por meio da educação superior e do jornalismo, pelos direitos humanos, não me impediram de reconhecer que isto ainda é pouco; que eu posso fazer muito mais para melhorar a vida dos outros e que este muito mais passa necessariamente pela política. Daí, eu ter decidido me filiar ao PSOL – partido cujo programa mais se aproxima de meus ideais – e ter aceitado o convite de Heloísa Helena a me candidatar a deputado federal e a travar, caso eleito, uma luta que certamente será árdua em nome da justiça social, dos direitos humanos, da ética pública e das liberdades individuais.

02. O que você fez com aquele dinheiro todo que você ganhou no BBB?

Acho que isso não interessa a muita gente, mas, para não te de deixar sem resposta, eu posso te dizer que ajudei a muita gente e a mim mesmo em necessidades imediatas. Guardei um pouco para os momentos difíceis. E continuei vivendo de meu trabalho.

03. Jean Wyllys ficou conhecido por tornar pública sua homossexualidade. Quando se descobriu gay e quais os momentos mais críticos dessa aceitação?

Como a gente vive numa sociedade heteronormativa, ou seja, numa sociedade cuja maioria heterossexual definiu a heterossexualidade como norma, o processo de aceitação da homossexualidade por parte de um homossexual nunca está completo. Mesmo quando a gente faz a passagem da vergonha para o orgulho – o que alguns chamam de saída do armário ou de "se assumir" – mesmo assim, a vida coloca a gente em momentos críticos em que a gente tem de optar entre se aceitar e expressar orgulho ou se calar. A melhor expressão para dar conta desse processo de aceitação que nunca está completo é a inglesa "Comming out of the closet"; a gente nunca sai do armário por completo... Quanto ao momento exato da "descoberta", não dá para precisá-lo. Uma criança que é diferente por não se encaixar nos papéis de gênero definidos pela sociedade percebe sua própria diferença quando todos em volta jogam essa diferença em sua cara ou querem fazê-la se encaixar na norma. Veja o caso que te contei do cara que me chamou de "viado" quando eu tinha apenas seis anos! Todo esse constrangimento vai fazendo com que um gay cresça internalizando a homofobia social, de modo que ele não se aceite em sua diferença e busque se enquadrar no que é considerado normal. É algo parecido com o racismo internalizado de muitos negros: criados numa sociedade em que o poder e os modelos de beleza e sucesso são brancos, muitos negros passam a rejeitar sua negritude e a querer se tornar brancos. Posso dizer que minha família reagiu bem à minha homossexualidade se eu levar em conta o fato de que nasci numa família do interior da Bahia, portanto, com os valores morais e os preconceitos típicos de uma família nordestina, interiorana, católica e pobre. Minha mãe e meus irmãos não deixaram de me amar quando assumi minha orientação sexual, mas, é importante dizer que eu assumi quando já morava fora e era arrimo de família. Talvez se eu assumisse quando ainda morava na casa de minha mãe e não a ajudasse financeiramente nem a meus irmãos, a história fosse outra. Mas não posso viver de hipóteses. A verdade é que, quando assumi minha orientação no reality show, minha família, amigos, colegas e alunos já sabiam e me respeitavam e amavam mesmo assim. Antes de me tornar famoso em todo Brasil, eu já era uma referência, em minha família, de determinação, bom-senso, inteligência, discrição e sucesso. A fama não alterou a forma de minha família me ver. A gente não é deslumbrado.

04 - - Hoje estamos vivendo em uma sociedade mais "democrática" quanto às relações homoafetivas, no Brasil e no mundo? Porque isso está acontecendo?

Celso, as mudanças que existem entre ser gay há dez anos e ser gay hoje são frutos mais da luta dos grupos de homossexuais organizados e de gays que dão "a cara a tapa" e menos de uma mudança na sociedade. Se a sociedade mudou, mudou porque foi pressionada pelas ações desses grupos e pessoas. Ela não muda gratuitamente: ao contrário, seu movimento é sempre de se conservar como é e está. Há dez anos eu já era gay assumido e, logo, posso dizer que as conquistas, de lá para cá, não são muitas: em se tratando de política, há o crescimento das paradas do orgulho gay - com todos os efeitos colaterais que esse crescimento traz - e os projetos de lei que institui o casamento civil entre gays e criminaliza a homofobia; em se tratando de representação na mídia, há os personagens de novela e o fato de eu ter aparecido num reality show, para todo Brasil, como um homem homossexual inteligente e ético. É inegável que o movimento gay - aproveitando-se dos esforços do capitalismo para nos constituir como nicho de mercado (e o capitalismo só apresenta o mercado como solução para os conflitos sociais) - conquistou novas representações de homossexuais na tevê. Essas novas representações trouxeram mais visibilidade para a comunidade LGBT e, assim, levou as audiências a se acostumarem mais com a existência dela. Contudo, é igualmente inegável que as representações de homossexuais mais toleradas pelas audiências são aquelas em que gays, lésbicas e transexuais aparecem como objetos de piadas e situações cômicas ou aquelas em que eles aparecem travestidos de heterossexuais, ou seja, sem nada que evidencie sua diferença. Nessas representações, com raríssimas exceções, os homossexuais aparecem como seres assexuados – não desejam, não transam, não amam. Sendo assim, as audiências toleram que alguém diga que é gay, mas, não quer vê-lo sendo gay. Daí não poder se afirmar categoricamente que vivemos numa sociedade mais tolerante e receptiva às relações homoafetivas. A prova disso é que o projeto de lei que institui o casamento civil entre homossexuais se encontra parado no Congresso Nacional desde 1995.

05 - Mas não acontecem paradas gays em quase todo Brasil? Isso não é prova de aceitação?

Isso é prova de que o movimento se organizou e conquistou seu espaço contra tudo e todos. As paradas são eventos que celebram o orgulho de ser LGBT, ainda que em alguns lugares, como resultado de negociação política para que sejam liberadas pelas autoridades locais, elas aconteçam com o nome de "parada da diversidade". As paradas são uma grande conquista política. Elas conferem existência a uma cultura que não conta com muitos meios de expressão pública. Elas não resolvem o problema da discriminação cotidiana de que são vítimas os gays e lésbicas e, muitas vezes, as paradas até servem para reforçar essa discriminação na medida em que a mídia heterossexual só dá destaque para seus excessos. Porém, como já disse, elas são meios de expressão pública da cultura LGBT – e isso é muito se pensarmos que há um esforço da mídia heterossexual e dos políticos conservadores em silenciar a cultura LGBT, em deixá-la invisível. Por isso, é equivocado aquele organizador de parada que prepara o evento pensando nas famílias que vão assistir ao desfile, acompanhadas de suas crianças e bichos de estimação. As paradas têm de ser feitas por e para as lésbicas, transexuais e gays. Os heterossexuais são apenas platéia.

06. - O que você acha que vai acontecer no futuro, em uma sociedade que aceita relações homoafetivas, "casamento gay", adoção de crianças por casais gays?Como o Brasil, por exemplo, pode se adaptar a isso?

Não faço futurologia. Mas digo que, se a sociedade brasileira estender a cidadania plena aos homossexuais e/ou se ela reparar os danos sociais e psíquicos que causou aos afrodescendentes, ela será uma sociedade de fato mais democrática e mais justa. O Brasil não só pode como deve construir essa sociedade. Foi pensando em participar dessa construção que aceitei vir candidadato.

07 - Outro dia vi em um programa de televisão que um travesti em São Paulo pode ganhar entre 4.500 e 6.000 reais e que as relações são em muitos dos casos são com homens, casados e que adotam a posição passiva na hora da transa. O que você acha disso?

Não sei se esses ganhos correspondem à realidade. Com certeza não correspondem à realidade da maioria das travestis e transexuais que vivem da prostituição. Quando eu era aluno da graduação, acompanhei o antropólogo Don Kuhlick em sua etnografia dos espaços de prostituição de travestis em Salvador. Convivi e conversei com muitas delas em reuniões do GGB. Depois, como repórter, fiz muitas matérias explorando o universo das travestis e a prostituição viril. Logo, posso te afirmar que a vida de uma travesti que vive só da prostituição não é fácil. A maioria se prostitui porque este é o último e único meio de sobrevivência que lhe resta. Se elas não podem ter vida diurna (você costuma ver travestis durante o dia, circulando normalmente pelas ruas?) imagine trabalhar regularmente em lojas, escolas ou empresas! Na noite, elas estão expostas a – e são alvo de - toda sorte de violência. Como não contam com proteção legal – ao contrário, costumam ser humilhadas e violentadas nas delegacias e postos de polícia aos quais recorrem – elas se protegem por meio da violência também, roubando ou ferindo seus clientes quando estes, depois que gozam, querem sair do programa sem pagar. É verdade que a maioria dos clientes das travestis é casada e quer ser passiva na relação, quer dar o cu, mas isso não significa que eles sejam homossexuais ou gay. O ânus é a uma zona erógena. Todo homem sente prazer quando é tocado no ânus. Mas ele não admite isso nem explora essa sua zona erógena com namoradas e esposas porque existe a mentalidade de que a posição passiva é uma posição menor porque feminina; a mentalidade de que quem se submete a ocupar essa posição passiva, feminina, não é homem, não é digno de ser homem, é tão inferior quanto a mulher, é viado. Ora, por conta dessa mentalidade, muitos homens deixam de explorar sua zona erógena com namoradas e esposas e vão atrás de travestis. No fundo, o que eles estão buscando não é outro homem, mas uma mulher com um pau que explore o prazer que ele sente no ânus.

08. Vamos falar mais de BBB. O que você acha que o Big Brother Brasil representa hoje para a população brasileira? Acha que é "só um jogo" como dizem ou este show carrega mais coisas por determinar às vezes a opinião do público sobre algumas questões, como a homofobia na edição passada?

Quando os realities shows começaram a fazer sucesso, eu, como comunicólogo, interessei-me por eles, ao ponto de abandonar a minha pesquisa sobre narrativas de presidiários do Carandiru – que fora objeto de estudos no mestrado e seria no doutorado – para montar um projeto de pesquisa sobre este novo gênero de entretenimento televisivo que estava fazendo a cabeça dos brasileiros. Eu queria ser um dos primeiros acadêmicos de comunicação no Brasil a estudar o BBB. E foi este querer que me levou a me inscrever no programa. Se eu pedisse à Globo para entrar no programa apenas para estudá-lo, ela me negaria; por isso, fiz a inscrição como mais um candidato. A telenovela um dia já foi desprezada pelos intelectuais e hoje é objeto de estudos multidisciplinares por ter se tornado um fórum de debates sobre as questões nacionais e formadora de mentalidades. O mesmo vai acontecer com os realities shows. E eu queria ser um dos primeiros a investigar quais os impactos deles no imaginário do povo brasileiro, afinal, a gente não pode considerar um mero equívoco quando pessoas não sabem em quem votaram nas últimas eleições, mas gastam seu tempo e dinheiro para votar num participante de reality show. Depois que eu participei do BBB, passei a gostar ainda mais desse tipo de entretenimento televisivo. Os realities shows vieram para ficar e causaram enorme impacto na programação televisiva no mundo inteiro. Ter sido selecionado para participar do programa me permitiu fazer uma etnografia e, assim, compreender melhor a produção de um programa que é campeão de audiência e, por isso, mobiliza e coloniza o imaginário de milhões de brasileiros. A última edição, por exemplo, serviu para mostrar à maioria dos brasileiros o que é a homofobia e suas múltiplas faces e manifestações. Tenho orgulho de ter conseguido fazer isso bem e, sem que eu tivesse planejado, de ter me tornado um marco na história do programa – e, talvez, na história da tevê brasileira – e de ter dado mais combustível à política homossexual e me tornado um escritor popular. O que a imprensa de celebridade não compreende é que não é o BBB que faz os participantes; são os participantes – suas histórias de vida e conflitos – que fazem o BBB. Os realities shows devem seu sucesso menos aos seus diretores e equipes de produção e mais, muito mais, aos seus participantes. Sem as histórias e vida dos participantes, sem suas qualidades e defeitos, os realities shows não seriam nada.

09- Você acha que ganhou o BBB porque era gay? Se não foi por isso, porque foi?

A escolha do vencedor, por parte do público, depende da conjugação de um contexto interno - ou seja, da trama dos conflitos que surgem da convivência entre os participantes – com um contexto externo, que corresponde à realidade sócio-cultural que o país está vivendo e dos fatos que a compõem. É na interação entre esses dois contextos que emerge a identificação ou identificações da maioria com aquele participante que ela faz vencedor. Então por que eu venci? Primeiro porque a trama nascida dos conflitos em que me envolvi na casa evocava o poderoso mito de Davi e Golias: o gigante da casa exortou os outros participantes a me eliminar a qualquer custo, mesmo eu sendo o elo mais fraco da corrente; a maioria não tolera a representação da injustiça. Segundo porque o fato de eu ter assumido publicamente minha homossexualidade fez com que a maioria me identificasse com um homem corajoso e honesto, mesmo ela reprovando intimamente a homossexualidade. Terceiro porque todas as minhas outras qualidades ficaram maiores que a minha orientação (era como se as pessoas desculpassem o fato de eu ser gay por ser, ao mesmo tempo, honesto, íntegro, bom e inteligente); porque eu apenas disse que era gay, não vivi minha sexualidade. Quarto porque o país atravessava uma crise ética na política; o povo demandava por modelos de ética e decência. Quinto porque, além disso, eu possibilitava outras identificações: alagoinhense, baiano, nordestino, povo de santo, professor universitário e intelectual com uma história de vida comum à maioria dos brasileiros.

10. O que ganhar o BBB te trouxe de bom? Isso te agregou fama real, ou hoje, você ainda vive daquela fama momentânea?

Entre as razões que me levaram a participar do programa, ganhar o prêmio em dinheiro era a que menos contava; virar "celebridade" não estava entre elas, definitivamente. Além de conhecer um reality show por dentro – interesse de um intelectual que pesquisa comunicação de massa e dá aulas para alunos dos cursos superiores de Comunicação Social – eu queria abrir minha carreira de escritor para o resto do país. Claro que a participação por si só não garantiria isso. Participar do BBB só faz de você um participante do BBB. O que faz de você algo mais que um participante é a formação, o trabalho e o talento. E eu estava (e estou) certo de meu talento, de minha formação e de meu trabalho, por isso, decidi participar. E, por isso, soube dizer não aos apelos da mídia para a exposição sem propósitos. Não gosto da fama em si, a fama pela fama. Tenho pavor dela e me recuso a alimentá-la: não faço presença vip, só vou a festas e shows que eu possa pagar e só aceito convites se os ventos forem do meu interesse e só dou entrevista e participo de programa de tv se eu tiver o que dizer ou se o tema tem a ver comigo. Como todo profissional, eu quero sucesso. E sucesso não é nada mais que fazer o que você gosta, viver disso e um número maior de pessoas prestar atenção. Nesse sentido, todos querem sucesso: o médico, o pintor, o artesão, o escritor, a cabeleireira, o MV Bill e você também, Celso.

11. Como você avalia a vida acadêmica de antes e a de agora? O que você espera nesse âmbito para o futuro?

Eu nunca me imaginei longe da vida acadêmica. Porque eu sempre tive um pé dentro dela e outro fora mesmo antes de ser "famoso". Fiz pesquisa e dei aulas na universidade ao mesmo tempo em que atuava como jornalista engajado e como escritor. Esse trânsito é salutar. Eu sou um intelectual orgânico naquele sentido descrito por Gramsci. Depois de ficar famoso num programa de massa, eu até esperava enfrentar mais preconceito por parte da academia carioca, mas isso não aconteceu. Um ou outro professor torce o nariz por inveja ou rancor, mas a maioria me recebeu de braços abertos e houve até instituições me disputando quando decidi deixar temporariamente a tevê para voltar à academia.

12. Li uma opinião sua sobre a vitória do Dourado no último BBB, você dizia que as pessoas queriam estabelecer uma ordem moral fascista. Você não acha que ao contrário de querer ordem o público na verdade quis brincar com jogo do BBB, sem se deixar ser conduzido pelo jogo? Pergunto isso por causa da febre no Twitter. As pessoas passaram a defender o Dourado como campeão mais como um deboche do que como um apoio a quem ele era de fato?

Não queria voltar a esse assunto, para mim, ele está esgotado. Mas discordo de você quanto às razões que levaram as pessoas a defender o Marcelo Dourado. Contrariando Descartes, Freud nos ensinou que a gente existe pelo que não pensa, ou seja, pelo que está inconsciente em nós. Havia muito ódio inconsciente – e, em alguns casos, mais que consciente – no deboche com que a defesa ao vencedor e o ataque aos homossexuais eram feitos no Twitter e demais espaços da internet. Seguindo sua argumentação, eu poderia dizer, então, que os sites, blogs e perfis que pregam ódio a negros e a nordestinos na internet não passam de deboche de quem quer brincar com o jogo da vida, sem se deixar ser conduzido por ele. Mas não posso dizer isso porque eles são uma aberração racista e xenófoba que precisa ser combatida.

13- Mais uma sobre o Marcelo Dourado. No último BBB, você fez campanha contra, acusando ele de homofóbico, até de nazista, por suas tatuagens. É assim que você acha que deva ser a superação dos preconceitos, "eliminando" quem não tem a mesma visão do problema? O caminho não seria abrir diálogo com o Marcelo Dourado sobre isso, por exemplo?

Você me parece um tanto obcecado pela defesa do Marcelo Dourado... Por quê? Você se identifica com ele? Eu não tenho nada contra Marcelo Dourado, muito pelo contrário. Eu sequer me esbarrei pessoalmente com esse rapaz na vida. Não fiz críticas a ele por ele ser tatuado (até porque eu mesmo tenho tatuagens), apenas chamei a atenção para o fato de que não se pode sair tatuando símbolos pelo corpo sem, antes, atentar-se para o novo significado que esse símbolo possa ter ganhado ao longo da história. Ora, o pênis ereto era símbolo de fertilidade na cultura Ioruba e nem por isso um cara vai tatuar um pau na testa, no braço ou na bunda! Pode até tatuar, mas vai ter que agüentar as pessoas apontando para o pau tatuado e chamando-o de "viado"; não vai poder se ofender com as criticas, afinal, ele não está na cultura ioruba, mas na cultura ocidental judaico-cristã que deu novo sentido ao pênis ereto. Não sei por que você se refere a "eliminação" nesse caso do BBB10. Nada do que publiquei ou disse era pessoal. Não tenho nada contra a pessoa do Dourado, volto a dizer. Eu fiz uma análise das representações televisivas em jogo e seu impacto na mentalidade dos brasileiros. Ao escrever e publicar minha opinião, abri o diálogo com a sociedade. Tenho certeza que, diante de representações racistas da negritude e da criminalização da pobreza num programa de massa, você também se posicionaria.

14 - Qual avaliação você faz do governo do presidente Lula?

Em relação a todos os governos anteriores, o governo avançou positivamente em todos os aspectos, mas fez concessões e alianças inimagináveis com os setores mais conservadores e reacionários do país, o que lhe impediu de fazer a transformação social prometida. Lula construiu o hoje. O PSOL, com Plínio de Arruda Sampaio, pode construir o amanhã.


15. O que você acha das candidaturas da ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] e do governador [de São Paulo] José Serra? E da Marina Silva [PV], gostou da iniciativa que ela teve em concorrer?

Quanto mais opções o povo brasileiro tiver, mais democrática será a corrida presidencial. Mas é preciso que a mídia leve em conta que a presidência não está sendo disputada apenas pelos três candidatos. A mídia ignora solenemente o Plínio de Arruda Sampaio como outra opção, excelente opção, diga-se de passagem! Tenho apreço pela história de vida da Marina Silva no que diz respeito à defesa do meio ambiente, mas não gosto de sua postura em relação à cidadania plena dos homossexuais; e vejo que sua candidatura só serve para fortalecer o Serra, que, dos três, é o que tenho menor apreço. A Dilma acabou de fazer concessões aos evangélicos fundamentalistas e acho que isso pode lhe render o voto dos cristãos evangélicos, mas compromete suas promessas de defender o estado de direitos e os direitos fundamentais de todos, inclusive os dos homossexuais e os do povo de santo.

16. Recentemente na Argentina foi aprovada a lei que regulamenta o casamento gay. Em sua opinião, o que ainda impede o Brasil de avançar nesse debate? Devemos seguir o mesmo caminho?

Na prática, o que impede que a lei seja aprovada é o fato de a direita conservadora e reacionária ser maioria no Congresso Nacional. E esta bancada de direita – de guardiães da família tradicional e contrários à extensão da cidadania plena a homossexuais e mulheres – é composta majoritariamente por cristãos neopentecostais fundamentalistas, eleitos pelas igrejas evangélicas que vêm se proliferando nas periferias das grandes cidades e do interior – periferias cujas populações estão abandonadas pelos governos e, por isso, carentes de políticas públicas de saúde, geração de emprego e principalmente de educação que lhes fortaleçam contra ações desses vendilhões do templo que querem transformar o Brasil numa teocracia, ferindo os princípios republicanos e democráticos. O que impede de a lei ser aprovada é essa bancada. Ela vem atravancando outras leis importantes para os LGBTs. Além disso, os meios de comunicação de massa são cúmplices da sustentação de uma homofobia social que joga a opinião pública contra os homossexuais organizados na busca de cidadania plena. É isso.

17. Por que você decidiu ser candidato a deputado federal?

A idéia de me candidatar partiu da Heloísa Helena. Ela me fez o convite. Eu já era filiado ao PSOL, mas não pensava em me candidatar. Aí, um dia, a gente se encontrou em Salvador e, nesta ocasião, durante uma conversa, a Heloísa me fez a proposta, argumentando que a política - e, aqui, eu me refiro à política no sentido do senso comum - precisa de novas caras e de candidatos que sejam cidadãos honestos e comprometidos com trabalhos em favor da justiça social e das liberdades. A princípio, eu disse não. Mas, depois, pensando melhor nos argumentos dela, eu reconheci que ela tem razão: se os políticos que estão aí não nos representam nem às nossas causas, então, que sejamos nós os políticos! Se eu posso estender os resultados de meu trabalho em prol dos Direitos Humanos a mais pessoas; se a vida me deu o potencial e a chance de fazer isto; se a vida me trouxe a esta posição; então, que eu o faça! Pensando assim, aceitei o convite e agora sou candidato a deputado federal pelo PSOL e pelo Rio de Janeiro. Meu slogan é "Um novo candidato para uma nova política". Precisamos mesmo de uma nova política, voltada verdadeiramente para o bem-estar coletivo, sem excluir, deste, as minorias.

18. Por que pelo Rio e não pela Bahia. Você não acha que o povo de sua terra vai se sentir traído?

Sou deputado pelo Rio porque moro e trabalho aqui há seis anos. O povo de minha terra não vai se sentir traído porque ele será contemplado pelo meu mandato tanto quanto os fluminenses caso eu seja eleito, pois, um deputado federal legisla em nome do povo brasileiro como um todo. Decidi aceitar o convite a me candidatar a deputado federal exatamente porque as causas em que trabalho – a dos direitos humanos e liberdades - são de âmbito nacional. Não fazia sentido me candidatar a uma vaga na Alerj. Não estou em busca de emprego. Emprego eu tenho! Estou em busca de defender causas que acho nobres e que podem trazer bem-estar a mais pessoas.

19. Você acredita que sua influência pública - conquistada pela visibilidade que o BBB deu - vai ajudá-lo em sua campanha? E por que o PSOL? Você sofreu algum tipo de resistência devido a sua candidatura no partido?

A minha influência pública deve-se ao fato de eu ser um homem de opinião e com formação intelectual sólida e incontestável; deve-se ao fato de eu ser um "intelectual orgânico", para usar a expressão de Gramsci; um intelectual que se envolve com os movimentos sociais e com lutas concretas; alguém que não se limita à academia nem à sala de aula; um estudioso da comunicação de massa que não teve medo de se misturar a ela para transformá-la. Tenho orgulho de ter feito o BBB, mas o BBB não me deu prestígio. O BBB me deu visibilidade e esta visibilidade vai me ajudar na campanha, é óbvio, mas se eu não fosse quem eu sou; se eu não tivesse prestígio adquirido de uma história de vida que é maior - muito maior – do que o que apareceu no BBB, esta visibilidade de nada valeria. E eu escolhi me filiar ao PSOL porque eu sei que se trata de um partido criterioso, que não aceita arrivistas e aventureiros em seus quadros. Sei que o PSOL não me aceitaria se eu fosse apenas uma "celebridade" querendo se dar bem. Ele me aceitou porque reconheceu a minha história de vida e minha afinidade ideológica com ele, o que não quer dizer que eu aprove toda cartilha do PSOL. A minha entrada no partido serve também para abri-lo para outras questões importantes da política contemporânea. Se eu quisesse ser tratado como um famoso querendo me dar bem, eu teria aceito o convite do DEM nas últimas eleições. Seria eleito com mais facilidade e não teria que ralar o tanto que estou ralando para me eleger. Mas não aceitei porque sou honesto e tenho convicções.

20. Resuma suas propostas como candidato em poucas palavras.

Defesa da ética pública; do meio ambiente; dos direitos humanos e das liberdades individuais, o que inclui os direitos LGBTs; de uma educação cidadã e para uma cultura sustentável; e do estado laico e democrático de direitos. Defender os direitos fundamentais é defender o direito de todos à alimentação, educação, saúde e trabalho, seja por meio de projetos de lei seja no papel de fiscal do executivo na aplicação do dinheiro do povo. Ufa!
Fonte: Porradão